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Preço do milho recua 3,5% em junho e estoques elevados pressionam mercado

O milho negociado na praça de Campinas (SP) foi cotado a R$ 62,00


Foto: Leonardo Gottems

O milho negociado na praça de Campinas (SP) foi cotado a R$ 62,00 por saca de 60 kg nesta quarta-feira (24), mantendo trajetória de queda em junho. Segundo dados divulgados pela DATAGRO, a média parcial do mês chegou a R$ 63,06 por saca, o que representa um recuo de 3,5% frente à média registrada em maio, de R$ 65,35 por saca. O mercado acompanha com atenção a evolução da safrinha brasileira, cuja estimativa aponta para um volume expressivo e que pode redesenhar o cenário de oferta no segundo semestre.

De acordo com a DATAGRO, a pressão baixista sobre os preços tem como principal explicação os estoques de passagem elevados, que já pesavam sobre o mercado antes mesmo do encerramento da colheita da segunda safra. A combinação entre oferta abundante e demanda insuficiente para absorver o volume disponível cria um ambiente desfavorável para a sustentação das cotações no curto prazo.

A safrinha 2026 é estimada pela DATAGRO em 112,5 milhões de toneladas. Caso o número se confirme, será a segunda maior segunda safra já colhida no Brasil, ficando atrás apenas do recorde registrado em 2025, quando a oferta disponível — somados estoques iniciais, produção doméstica e importações — chegou a 118 milhões de toneladas. O dado reforça o caráter estrutural do excedente que o mercado terá de absorver nos próximos meses.

O recuo no preço médio de junho não é isolado. Ele integra uma tendência que vem se desenhando ao longo do primeiro semestre, à medida que as projeções para a safrinha se consolidavam em patamares elevados. Produtores e tradings têm monitorado de perto o ritmo de colheita e os fluxos de comercialização para tentar identificar o momento em que a pressão vendedora começa a ceder.

No mercado físico, a referência de Campinas continua sendo uma das principais balizas para os negócios com milho no Centro-Sul do Brasil. A queda para R$ 62,00 por saca sinaliza que os compradores seguem sem pressa para fechar posições, respaldados pela perspectiva de oferta folgada. O ritmo de negócios permanece travado, com vendedores relutantes em aceitar preços considerados abaixo do custo de produção em diversas regiões.

Para o produtor, o cenário é de pressão. Com o custo de produção do milho elevado, especialmente em função dos preços de insumos ainda em patamar alto, a queda nas cotações reduz margens e exige maior eficiência no planejamento da comercialização. Muitos optam por segurar o produto na expectativa de uma recuperação sazonal dos preços, o que pode ocorrer à medida que a demanda do setor de rações e exportações retomar força.

Do lado da demanda, o setor de proteína animal — principal consumidor de milho no mercado interno — segue operando de forma consistente, mas sem sinais de aceleração expressiva que justifique uma reversão abrupta nas cotações. A avicultura e a suinocultura absorvem volumes relevantes, mas a oferta ampliada da safrinha é capaz de suprir essa demanda sem gerar pressão altista.

O mercado de milho brasileiro entra no segundo semestre com um desafio duplo: acomodar o volume recorde da segunda safra e encontrar escoamento eficiente, seja via mercado interno, seja pelas exportações. Segundo a DATAGRO, a dimensão da safrinha 2026 coloca o Brasil novamente em posição de destaque na oferta global do cereal, e os próximos meses serão decisivos para definir o ritmo de escoamento e o piso das cotações domésticas.

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