Preço do trigo reage no Brasil mesmo com queda nas cotações internacionais
No mercado brasileiro, o movimento foi de recuperação
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O mercado do trigo encerrou a última semana de maio com movimentos opostos entre o cenário externo e o brasileiro. Enquanto as cotações internacionais recuaram em Chicago, os preços internos avançaram, impulsionados pela menor oferta de trigo de qualidade, importações mais caras e expectativa de redução na área semeada.
De acordo com a CEEMA, o primeiro mês cotado na Bolsa de Chicago fechou a quinta-feira, 28 de maio, a US$ 6,24 por bushel, abaixo dos US$ 6,47 registrados uma semana antes. A queda ocorreu mesmo diante de um quadro ainda preocupante para as lavouras de trigo de inverno nos Estados Unidos.
Até 24 de maio, 44% das áreas norte-americanas estavam classificadas entre ruins e muito ruins. Outros 30% das lavouras apareciam em condição regular, enquanto apenas 26% eram avaliadas entre boas e muito boas.
No caso do trigo de primavera, o ritmo de implantação segue acima da média histórica. Até 24 de maio, 86% da área prevista já havia sido semeada nos Estados Unidos, contra média de 79% para o período. A germinação também avançava em ritmo superior ao normal. Segundo os dados citados pela CEEMA, 56% do trigo de primavera plantado já havia germinado, ante média histórica de 51%.
Preços reagem no Brasil
No mercado brasileiro, o movimento foi de recuperação. Nas principais praças do Rio Grande do Sul, o trigo passou a ser negociado entre R$ 65,00 e R$ 66,00 por saco. No Paraná, as referências se consolidaram em torno de R$ 70,00 por saco. A sustentação dos preços, segundo a CEEMA, está relacionada à escassez de trigo de qualidade superior, ao custo mais elevado do produto importado e à confirmação de uma forte redução na área semeada à medida que o plantio da nova safra avança.
No Paraná, a semeadura atingia 61% da área prevista em 25 de maio. Já no Rio Grande do Sul, o plantio ainda estava em fase inicial, mantendo produtores, cooperativas e moinhos atentos ao ritmo de implantação das lavouras.
A indústria também teve papel relevante no cenário do trigo. Em 2025, o Brasil moeu 13,3 milhões de toneladas do cereal, avanço de 0,6% em relação a 2024 e o maior volume anual desde 2021. A ocupação média da capacidade instalada superou 76%.
Com base em dados da Abitrigo citados pela CEEMA, o Paraná permaneceu como principal polo de moagem do país, com 3,9 milhões de toneladas, apesar de queda anual de 1%. O Rio Grande do Sul processou 2 milhões de toneladas, alta de 3%, enquanto São Paulo somou 1,73 milhão de toneladas, recuo de 7,6%.
Nos estados do Norte e Nordeste, que dependem majoritariamente de trigo importado, a moagem cresceu 4,7% e chegou a 3,5 milhões de toneladas. Em 2025, o Brasil importou 6,88 milhões de toneladas de trigo, volume equivalente a pouco mais da metade do total processado no país.
A Argentina seguiu como principal fornecedora, com 5,4 milhões de toneladas. Uruguai, com 767,8 mil toneladas, e Paraguai, com 513 mil toneladas, completaram as principais origens mencionadas no relatório.
No Rio Grande do Sul, os preços da safra velha continuaram em recuperação gradual. Os moinhos elevaram as indicações para a faixa de R$ 1.430,00 a R$ 1.450,00 por tonelada CIF para trigo normal, sem característica branqueadora ou melhoradora.
No mercado FOB gaúcho, as referências ficaram em R$ 1.330,00 por tonelada para junho, R$ 1.350,00 para julho e R$ 1.370,00 para agosto. O relatório também aponta que a tendência de redução na área destinada ao trigo é generalizada, em meio à falta de sementes e ao menor uso de tecnologia.
Em Santa Catarina, o mercado acompanha os movimentos observados no Paraná e no Rio Grande do Sul. O trigo catarinense passou a ser indicado entre R$ 1.350,00 e R$ 1.400,00 por tonelada FOB. Já no Sudoeste do Paraná, as ofertas ficaram entre R$ 1.320,00 e R$ 1.350,00 por tonelada.
No mercado paranaense, a escassez de matéria-prima de boa qualidade segue sustentando as cotações. A CEEMA cita negócios a R$ 1.350,00 por tonelada na região central, R$ 1.400,00 FOB no norte do estado e R$ 1.450,00 CIF na região de Curitiba.
Mesmo com a pressão baixista observada em Chicago, o mercado brasileiro do trigo segue sustentado por fundamentos internos. A combinação entre oferta limitada, encarecimento das importações e expectativa de menor área plantada mantém o setor em alerta. Para produtores, cooperativas e moinhos, o momento exige atenção tanto nas negociações da safra velha quanto no planejamento da nova temporada. A disponibilidade de trigo de melhor qualidade e o ritmo do plantio no Sul devem continuar no centro das decisões comerciais nas próximas semanas.