Preço do trigo sobe no Brasil
Cereal ainda não recuperou os níveis registrados no mesmo período do ano passado
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Maio trouxe uma mudança de direção para as cotações do trigo no mercado brasileiro. Depois de um período de preços mais pressionados, o cereal ganhou sustentação com a menor oferta interna e com produtores menos dispostos a negociar nos valores disponíveis, segundo pesquisadores do Cepea.
O avanço dos preços não veio acompanhado de maior ritmo de negócios. Pelo contrário: de acordo com pesquisadores do Cepea, a liquidez seguiu limitada ao longo de maio. A explicação está no comportamento dos vendedores. Parte dos produtores optou por aguardar valores mais elevados antes de fechar novos negócios, reduzindo a oferta disponível no mercado interno.
Esse ambiente deu sustentação às cotações no comparativo com abril, mas ainda não foi suficiente para recolocar os preços no mesmo nível observado em maio de 2025. Entre os estados acompanhados, o Rio Grande do Sul registrou a valorização mais forte em maio. O preço médio chegou a R$ 1.299,65 por tonelada, avanço de 7,6% em relação a abril, de acordo com levantamento do Cepea.
O valor foi o maior desde agosto de 2025. Ainda assim, a média gaúcha permaneceu 9,2% menor que a registrada em maio do ano passado, em termos reais.
Em São Paulo, o trigo foi negociado, em média, a R$ 1.467,25 por tonelada em maio. Segundo dados divulgados pelo Cepea, o valor representa alta de 5,2% frente a abril. Na comparação anual, porém, o indicador ainda mostra defasagem: a média paulista ficou 10% abaixo da observada em maio de 2025.
No Paraná, a média mensal ficou em R$ 1.352,59 por tonelada, com avanço de 2,6% sobre abril, conforme apontam dados do Cepea. Mesmo com a recuperação, o preço ficou 14,1% inferior ao de maio de 2025, em valores reais deflacionados pelo IGP-DI. Em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.285,99 por tonelada. Ainda de acordo com o Cepea, houve aumento de 4,1% no mês, mas queda de 13,5% na comparação com maio do ano anterior.
Os dados indicam que maio foi um mês de recomposição parcial para o trigo no mercado interno. A menor oferta e a resistência dos vendedores ajudaram a elevar os preços, principalmente no Rio Grande do Sul. Ainda assim, o quadro anual segue negativo nas praças analisadas. Em todos os estados citados pelo Cepea, as médias de maio de 2026 ficaram abaixo das registradas um ano antes, mesmo após a alta mensal.