Os preços futuros do café arábica subiram ontem em Nova York para o patamar mais elevado das últimas semanas devido às expectativas de que o Brasil, maior produtor mundial da commodity, terá sucesso no programa que prevê a restrição das exportações. Na quarta-feira, o governo brasileiro deu início a uma série de leilões de contratos de opções visando o estoque de até 6 milhões de sacas de café da atual safra. Na série de leilões, o objetivo será dar garantia de preço mínimo para o cafeicultor. "O produtor compra a opção de vender seu café para o governo, o que significa na prática garantia de preço", diz um trader.
Os contratos do café arábica para entrega em dezembro, que ocupam a segunda posição, subiram 1,89% no pregão de ontem da Coffee, Sugar & Cocoa Exchange (CSCE), de Nova York, o mais elevado preço de fechamento do mais ativo contrato desde 12 de julho, cotados a 51,15 centavos de dólar por libra-peso, em alta de 0,95 centavo. As cotações dispararam 10% desde que recuaram para o patamar de baixa de 46,50 centavos de dólar por libra-peso verificado em 31 de julho, o que significa uma queda de 6,7% em relação aos preços praticados um ano atrás.
As expectativas de uma colheita recorde no Brasil - estimada pelo governo brasileiro em 44,7 milhões de sacas de 60 quilos, quase 50% superior à anterior - levaram em julho as cotações do café no mercado futuro para o mais baixo patamar em cinco meses. "Tivemos na quarta-feira um bom leilão", comentou Michael McDougall, corretor da mesa de América Latina do Fimat USA Inc., de Nova York. "Tal medida reduz as chances de os produtores venderem em um fraco mercado."
No primeiro pregão de opções realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os produtores brasileiros de café compraram contratos de opções que lhes darão o direito de vender 895 mil sacas de café arábica ao governo, a R$ 130 (US$ 40,92) por saca, ou cerca de US$ 0,31 por libra, em dezembro, informou o porta-voz do Ministério da Agricultura, Dalton Paranaguá. Tal volume representou 70% do café que o governo se comprometeu a comprar.