Agronegócio

Prejuízos trazidos pelo vento precisam de controle

Aumentam casos de deriva de agrotóxicos no Paraná
Por: -Ricardo Maia
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Aplicação inadequada e baixa tecnologia aumentam casos de deriva de agrotóxicos no Paraná

Essencial para o controle de pragas e doenças, a utilização de defensivos agrícolas garante aos agricultores uma produção de qualidade. Porém, a aplicação desses produtos deve obedecer critérios específicos para evitar um mal que vem crescendo nas lavouras paranaenses: a deriva. Na literatura agronômica, deriva é o deslocamento do produto pelo vento que leva as partículas de veneno para outras áreas.


Além de contaminar as regiões vizinhas, a planta que deveria receber aquele determinado produto não é atingida. Nesse caso, o prejuízo ao produtor acontece pela proliferação de pragas e doenças. Fernando Adegas, pesquisador da Embrapa Soja, explica que, com a deriva, o produto não consegue atingir o alvo e, consequentemente, proteger a planta. Segundo ele, a dispersão de partículas de agrotóxicos pelo vento é o fator que mais influencia no aparecimento da deriva, que também pode ocorrer por meio do uso de produtos mais voláteis. "Gotas mais finas associadas ao vento são os principais causadores da deriva", sustenta Adegas.

O pesquisador informa que a tecnologia de aplicação tem melhorado, mas ainda há muito o que se fazer para chegar a um patamar satisfatório. A recomendação para evitar a deriva, completa Adegas, é simples. Ele afirma que o produtor deve utilizar bicos específicos para cada tipo de pulverização, realizar a operação quando houver ventos abaixo de 10 km/h e umidade relativa do ar adequada, entre outros fatores. "Acredito que os produtores estão se conscientizando que o uso adequado da aplicação é fundamental para manter o processo", comenta. Adegas recomenda, em alguns casos, o uso de gotas maiores já que, nesse caso, o peso da gota não faz com que ela seja carregada pelo vento.

Acerte o Alvo

Criado em 2004 em Londrina por entidades públicas e privadas, o programa Acerte o Alvo, que visa conscientizar o produtor sobre a aplicação adequada de defensivos agrícolas, foi transformado neste ano em um programa que deverá abranger todo o Estado. Segundo o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, têm ocorrido muitos casos de deriva no Estado, o que ascendeu o alerta vermelho do governo paranaense.


Nelson Harger, articulador do grupo gestor do Acerte o Alvo e coordenador de grãos do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), afirma que a deriva é consequência da falta de qualidade nas aplicações. "Aqueles que trabalham com diversificação de cultura nas suas respectivas propriedades e utilizam baixa tecnologia são os que mais sofrem com a deriva", aponta.

"Queremos melhorar as aplicações com o programa." Harger completa que os vizinhos dessas propriedades também sofrem com a deriva. Ele observa que quando o defensivo é aplicado adequadamente, todos saem ganhando, incluindo o produtor. "Se ocorre uma deriva, o produtor terá que realizar mais aplicações para ter um resultado satisfatório", pontua.

Segundo ele, o agricultor precisa acertar o alvo para obter uma aplicação de qualidade. "O programa não é só treinar o produtor, mas também fazer com que ele entenda todo o processo", observa. Com o apoio do setor privado, Harger quer mudar a realidade do Paraná. O representante do programa destaca que devido às muitas reclamações de deriva, houve a iniciativa de expandir o Acerte o Alvo.


Harger sustenta que, se o produtor utilizar na hora da aplicação uma pressão mais baixa e bicos antideriva, 90% do problema é eliminado. "Queremos resultados e o compromisso dos agricultores", observa. A meta do Acerte o Alvo é atender em torno de 4 mil produtores paranaenses por ano. "Para isso, contaremos com o apoio da iniciativa privada." Até o momento, quatro empresas já estão cadastradas no projeto.

O primeiro passo do Acerto o Alvo, explica Harger, é levantar a realidade local, trabalhando cada problema de forma específica. "Todos os técnicos da Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento) e do Emater estão envolvidos no projeto", finaliza.
 
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