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Presidente da Abramilho destaca crescimento das usinas, avanço do DDG e novas oportunidades comerciais com a China.

O avanço do etanol de milho no Brasil deve ampliar a demanda


Foto: Divulgação

O avanço do etanol de milho no Brasil deve ampliar a demanda pelo cereal nos próximos anos e fortalecer novas oportunidades para produtores rurais, pecuária e comércio exterior. A avaliação foi apresentada por Paulo Bertolini durante o Congresso da Abramilho.

China entra no debate sobre relações comerciais e biotecnologia

Bertolini destacou a participação inédita do embaixador chinês em um painel voltado às relações comerciais entre Brasil e China. Segundo ele, a presença reforça a importância estratégica do mercado chinês para o agronegócio brasileiro.

O debate deve abordar principalmente questões regulatórias ligadas à biotecnologia. Conforme explicou o presidente da Abramilho, a China possui um processo regulatório considerado rígido e, muitas vezes, demorado, o que impacta a velocidade de aprovação de tecnologias e produtos do agro.

Um dos pontos levantados foi a possibilidade de utilizar como referência o modelo já adotado entre Brasil e Argentina, no qual existe reconhecimento múuo de algumas etapas regulatórias ligadas à biotecnologia. Na prática, isso evita que determinados processos precisem ser reiniciados integralmente em ambos os países.

“Como que a gente pode aprimorar essa parceria, essa colaboração?”, questionou Bertolini ao defender avanços nas relações regulatórias com a China.

Etanol de milho acelera demanda interna

O crescimento da indústria de etanol de milho foi apontado por Bertolini como um dos principais fatores de sustentação da demanda pelo cereal no Brasil. Segundo o presidente da Abramilho, o setor já consome mais de 20 milhões de toneladas de milho por ano. A expectativa é que esse volume praticamente dobre nos próximos anos, impulsionado pela expansão das usinas em construção, em projeto e já em operação.

“Rapidamente, nós teremos quase 40 milhões de toneladas de milho sendo processadas aqui no Brasil para a produção do etanol”, afirmou. Além do milho, parte das usinas também está sendo preparada para processar sorgo, ampliando o potencial de uso de culturas alternativas dentro da cadeia de biocombustíveis.

DDG fortalece pecuária de corte e leite

O avanço do etanol de milho também vem ampliando a oferta de DDG, coproduto altamente proteico utilizado na nutrição animal. Segundo Bertolini, o DDG tem contribuído para intensificar sistemas de produção pecuária, especialmente confinamentos de bovinos de corte e leite.

“O DDG propicia e viabiliza a intensificação, os confinamentos, principalmente na pecuária de corte e na pecuária leiteira”, destacou.

A avaliação apresentada pelo dirigente é de que o crescimento das usinas gera benefícios além da produção de combustível renovável, criando novas alternativas de renda e estabilidade para o setor agropecuário.

Contratos e previsibilidade mudam dinâmica do milho

Outro impacto observado está na relação entre usinas e produtores rurais. Segundo Bertolini, a indústria do etanol tem proporcionado maior liquidez, previsibilidade e estabilidade de preços para o mercado de milho.

A demanda contínua das usinas já estaria provocando mudanças no calendário produtivo em algumas regiões. Tradicionalmente concentrado na segunda safra, o milho começa a ganhar espaço também na primeira safra para garantir abastecimento das indústrias ao longo do ano.

“Hoje, em função de que a usina tem que funcionar o ano todo, essas usinas estão oferecendo contratos para esses produtores plantarem milho já na primeira safra”, explicou.

O presidente da Abramilho também afirmou que, em determinadas regiões, a rentabilidade do milho já supera a da soja, embora tenha ressaltado que as duas culturas coexistem e seguem sendo estratégicas para o agro brasileiro. “Esse casamento deu certo e veio para ficar”, afirmou ao comentar a integração entre produção agrícola e indústria de biocombustíveis.

China abre mercado para DDG e sorgo brasileiros

O avanço das relações comerciais com a China também aparece como oportunidade para os coprodutos gerados pela cadeia do etanol.

Bertolini diz que o  mercado chinês foi recentemente aberto para o DDG brasileiro e para o sorgo produzido no país, ampliando as perspectivas de exportação.  A expectativa é que o debate com representantes chineses contribua para aprofundar acordos comerciais e aprimorar processos regulatórios entre os dois países.

 

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