Produção de leveduras abre novos mercados para usinas goianas
Goiás avança na produção de leveduras
Foto: Pixabay
As usinas de Goiás estão ampliando a produção de leveduras e seus derivados como estratégia de diversificação e agregação de valor. Empresas associadas ao Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg) aproveitam a biomassa gerada durante a fermentação para fabricar produtos destinados principalmente à nutrição animal e a outros mercados.
O movimento acompanha a transformação das tradicionais unidades produtoras de etanol, açúcar e bioeletricidade em estruturas mais próximas do conceito de biorrefinaria. Nesse modelo, diferentes produtos são obtidos a partir da mesma matéria-prima e dos fluxos gerados no processo industrial.
Durante a fabricação do etanol, a fermentação utiliza a levedura Saccharomyces cerevisiae, que gera biomassa celular. Parte desse material pode ser recuperada e submetida a processos de tratamento, concentração, autólise ou hidrólise.
A partir dessas etapas, são produzidos diferentes tipos de leveduras comerciais. Entre as empresas associadas ao Sifaeg que investem no segmento estão Denusa, Jalles, Caçu, Nova Galia e Boa Vista, com unidades voltadas à produção de leveduras inativas, autolisadas e hidrolisadas.
Produção de leveduras amplia mercados das usinas
Uma das principais aplicações comerciais das leveduras produzidas pelas usinas está na nutrição animal. A levedura inativa seca pode ser utilizada como fonte de proteínas e outros nutrientes na formulação de rações. Já os produtos autolisados e hidrolisados apresentam componentes celulares que podem ter diferentes aplicações nutricionais e funcionais.
Outro derivado de interesse é a parede celular da levedura, que concentra componentes como β-glucanas e mananoligossacarídeos. Esses ingredientes são empregados em formulações de alimentação animal e vêm sendo estudados por seu potencial funcional, inclusive para espécies como peixes.
As leveduras destinadas à alimentação animal são utilizadas em formulações para bovinos, aves, suínos, peixes, camarões e animais de companhia, de acordo com as características de cada produto e sua aplicação.
Além da nutrição animal, os derivados de levedura também podem ser destinados a alimentos, fermentação industrial e produção de ingredientes funcionais. Com isso, as usinas ampliam as possibilidades de atuação para além dos mercados tradicionalmente ligados ao açúcar e ao etanol.
Biomassa da fermentação ganha valor econômico
Para o setor, a produção de leveduras representa uma oportunidade de diversificar receitas e ampliar o aproveitamento da biomassa gerada dentro da própria indústria.
A estratégia permite que a mesma cana-de-açúcar utilizada na produção de etanol também dê origem a outros produtos, aumentando o valor econômico extraído da matéria-prima. “A indústria de bioenergia está cada vez mais preparada para aproveitar integralmente os recursos disponíveis no processo produtivo. A produção de leveduras é um bom exemplo de como uma usina pode diversificar sua atuação, agregar valor e acessar novos mercados a partir de um material que já faz parte do processo de fabricação do etanol”, afirma André Rocha, presidente executivo do Sifaeg e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg).
Segundo Rocha, a estratégia também demonstra a evolução tecnológica da indústria bioenergética. “Estamos falando de uma indústria que produz combustível renovável e energia, mas que também amplia seu portfólio para ingredientes, insumos e outros produtos de maior valor agregado. É a lógica da biorrefinaria ganhando espaço no setor”, acrescenta.
Biorrefinaria muda perfil das usinas goianas
A diversificação acompanha uma tendência internacional de transformação das plantas de bioenergia em unidades industriais capazes de produzir uma variedade crescente de produtos.
No Brasil, a disponibilidade de cana-de-açúcar e a experiência acumulada pela indústria em processos de fermentação criam condições para o desenvolvimento de novas aplicações para a biomassa. Para o Sifaeg, iniciativas como a produção de leveduras mostram que competitividade e sustentabilidade podem avançar juntas. Ao encontrar novas utilizações para materiais gerados no processo industrial, as empresas ampliam a eficiência e criam novas fontes de receita.