O produtor paranaense Walter Yukio Horita, chegou ao Oeste Baiano em 1984, com 20 anos de idade após se formar engenheiro de produção mecânica, em São Carlos (SP). Comprou terras na região por mais ou menos US$ 40 por hectare "Não paguei tão barato porque dois anos antes alguns produtores haviam pago US$ 5 o hectare", afirma. Hoje, a terra em sua região, o município de São Desidério, a cerca de 90 quilômetros de Barreiras, está por 200 sacas de soja (cerca de R$ 10 mil).
O início do plantio de Horita foi com soja, milho e arroz mas há cinco anos sua maior paixão é o cultivo de algodão. "A região é muito propícia para algodão", diz ele, que cultiva 20 mil hectares (entre algodão, soja e milho), de uma área total de 26 mil hectares - 20% ficam como área preservada. A maior parte do cultivo é de algodão de sequeiro, mas também tem irrigação. Na região, o algodão cresceu muito nos últimos anos de 67 mil para 155 mil hectares, afirma Walter Horita. Como as chuvas são bem definidas, ele informa que nestes 20 anos que está na região, só teve problema três anos.
A preferência pelo algodão, segundo Horita, reflete o melhor rendimento, embora o custo também seja muito superior. Para a implantação da soja, os produtores arcam com uma despesa de aproximadamente US$ 330 por hectare; para o algodão, o custo é de US$ 1.300 por hectare. O plantio é feito com recursos próprios e parte financiado. "Compramos 15 mil toneladas de adubo", diz Horita, que cultiva com três irmãos. Embora considere um "risco calculado", o agricultor informa que em 2002 uma estiagem de 30 dias provocou queda de 12% na produtividade média estimada. "Nestes momentos, porém, há uma contrapartida com certa recuperação nos preços", afirma.
A melhoria nos preços está estimulando os produtores. Segundo Horita, os preços oscilam em torno de 60 centavos de dólar por libra-peso, 50% a mais em relação a 2002 quando o mercado havia baixado para 40 centavos de dólar a libra-peso. O plantio de algodão nesta safra dobrou para 13 mil hectares, em relação aos 6,3 mil hectares no ano anterior. Horita iniciou o plantio de algodão há cinco anos, com 2,2 mil hectares, passando para 3,6 mil hectares em 2001 e 5 mil hectares em 2002. Em compensação, o plantio de soja que chegou a 12 mil hectares, caiu para 6 mil hectares.
Investimentos
Nos últimos quatro anos o produtor investiu cerca de R$ 3 milhões por ano em melhorias, na produção e maquinário. Apenas em tratores de pequeno porte (de 100 HP) ele acaba de adquirir 30 máquinas (com preços que oscilam entre R$ 90 mil e R$ 100 mil cada) e está fechando a compra de um avião agrícola da empresa Neiva, por US$ 225 mil.
No total, a família Horita tem 40 tratores pequenos, 26 médios (150 HP) e 20 grandes (250 HP); são dez colheitadeiras de algodão (US$ 310 mil cada) e oito colheitadeiras de grãos (US$ 200 mil). "Na média uma máquina destas se paga em quatro safras." Para efetuar as pulverizações e adubação, Horita dispõe também tem outros dois aviões agrícolas.
O produtor paranaense ressaltou a importância do Moderfrota e a miopia dos críticos ao programa, que alegam que o mesmo já teria cumprido seu papel e não haveria mais necessidade de prorrogação da liberação dos financiamentos. "Precisamos de capital de giro e o Moderfrota foi de fundamental importância para o crescimento da agricultura", afirma.