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Produtores de café vendem direto ao consumidor

Os produtores de café estão procurando agregar valor com a venda direta ao consumidor


A cafeicultura sempre foi considerada um projeto de vida para muitos produtores. Para se manter na atividade, no entanto, a evolução da atividade, principalmente depois da crise dos últimos quatro anos, passou a ser fundamental e o conceito de verticalização da produção foi uma das estratégias mais adotadas pelos cafeicultores.

Dentro do novo contexto de mercado, a agregação de valor ao produto agrícola tem se mostrado um dos caminhos mais seguidos pelos cafeicultores que, além da visão apaixonada pelo café, também possuem uma gestão empresarial do negócio. Um exemplo de evolução bem sucedida é o da fazenda Santa Lúcia, propriedade localizada em Monte Sião, na região sul do estado de Minas Gerais, onde se produz um dos melhores cafés do Brasil.

Depois de vender o grão verde para indústrias tradicionais, como a italiana Illy Cafe, o grupo mineiro decidiu apostar na agregação de valor da atividade, porém, em duas fases. A primeira começou no ano passado, com investimento de R$ 500 mil na compra de equipamentos, embalagens e no desenvolvimento do blend ideal para que a fazenda colocasse no mercado um café de marca própria, que em 12 meses já é comercializado em mais de 50 pontos de São Paulo.

Cafeteria própria:

A segunda fase do projeto será concluída em maio, com a inauguração da primeira cafeteria. "Vamos construir nossa primeira unidade dentro de um restaurante da zona oeste de São Paulo. Se tudo correr como esperamos, a idéia é espalhar mais cafeterias próprias pela cidade e partir para outras capitais do País", afirma Guilherme Bernardes Filho, diretor-geral do Café Santa Lúcia.

Há mais de 20 anos exercendo o papel de produtor e vendedor de café verde, o grupo se propõe cultivar variedades de valor superior. "O café arábica convencional é comercializado hoje em dia a R$ 320 a saca, mas recebemos uma proposta de R$ 450 e optamos por não vender. Decidimos pedir R$ 500", diz Bernardes, para demonstrar a qualidade do café produzido.

A idéia de uma fazenda produtora lançar no mercado uma cafeteria com sua própria bandeira pode ser considerada inovadora. "Existe um número crescente de produtores que decidiram ampliar a atividade, mas todos ligados ao processo de industrialização do grão. Não recordo de nenhum que tenha decidido apostar na venda direta ao consumidor via cafeteria. Esse poderia ser considerado o limite da agregação de valor no produto café", afirma Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic).

Na estratégia de agregar valor ao que se produz na fazenda, o Café Santa Lúcia pretende comercializar 20 mil quilos de café torrado, nos próximos cinco anos. "Esse volume será vendido em nossa cafeteria e também para nossos clientes", explica Bernardes.

Aumento da demanda:

A aposta do grupo está na expectativa de aumento do consumo de café previsto para o Brasil. Segundo a Abic, a meta para 2005 é atingir o consumo de 15,8 milhões de sacas, podendo atingir o volume de 16 milhões, objetivo que era esperado apenas para 2006.

Em 2004, o consumo de café cresceu 8,8%, muito acima da média mundial, de 1,5%. A demanda de café no ano passado foi de 14,9 milhões de sacas, 1,24 milhão a mais do que as 13,7 milhões consumidas em 2003. O resultado superou a própria meta das indústrias, que era de 14,2 milhões de sacas. "Esse foi o melhor resultado da história. Nunca se consumiu tanto café no Brasil como no ano passado", afirma Herszkowicz.

Além do mercado interno, o grupo já está de olho no exterior. Uma primeira amostra do produto acabado foi enviada para a Alemanha, onde será comercializada por uma cafeteria de Munique.

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