Produtores fecham BR-060 em Acreúna (GO)
Caminhões com produtos agropecuários foram retidos na rodovia, gerando fila de até 300 veículos
Como haviam anunciado no dia anterior, os produtores rurais de Acreúna (GO) e vizinhanças iniciaram nessa terça-feira (09-05) uma operação de “estreitamento de rodovia” na BR-060, no trevo de acesso a Acreúna. O movimento se soma ao iniciado por produtores de Jataí, Qurinópolis e Chapadão do Céu, que também deram continuidade nessa terça-feira ao fechamento de armazéns gerais e rodovias. O movimento é em protesto contra a política agrícola do governo federal.
O presidente da Fundação de Pesquisas Agropecuária de Goiás (Fundação-GO), Washington Senhorelo, explica que o movimento em Acreúna é seletivo, isto é, retém apenas os veículos com cargas de produtos agropecuários não-perecíveis, óleo diesel e insumos agropecuários, como sal, adubo, calcário e agroquímicos. “Em alguns momentos do dia havia mais de 300 caminhões retidos”, diz o dirigente da Fundação-GO.
Sem prazo
O vice-presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa) Ronaldo Macêdo Lamberte, diz que os produtores de Acreúna continuarão com suas máquinas na pista por tempo indeterminado. “Só sairemos daqui com uma solução para o nosso problema, pois o governo precisa compreender que não temos como plantar a próxima safra e nem como pagar as nossas dívidas”, afirma o diretor da Agopa, que prevê crescimento do movimento nos próximos dias, podendo chegar também ao fechamento de armazéns e de outras empresas.
O presidente da Cooperativa dos Produtores de Algodão (All Coton), João Matos, reconhece que o movimento traz transtornos para algumas pessoas, mas argumenta que é o último recurso dos produtores na tentativa de sensibilizar o governo e a sociedade para a gravidade da situação no campo. “Queremos que a sociedade entenda que agora o problema é do produtor, mas nos próximos dias se tornará um gravíssimo problema social, pois sem condições de continuar na atividade, já inciamos o processo de dispensa dos empregados”, diz João Matos.
O proprietário da Algodoeira Ouro Branco, Rubens Prudente, que também é um dos maiores produtores de algodão do município, diz que da safra anterior para a atual reduziu em mais de 50% sua área plantada, passando de 4.500 hectares para 2.200 hectares e agora está demitindo quase todo o quadro de funcionários. Segundo ele, foramj demitidos 116 trabalhadores e outros 70 estão em processo de dispensa, com o que restará apenas 32 pessoas para a manutenção do escritório e das fazendas.
“É uma decisão doída, mas não temos outra saída”, diz Rubens Prudente, que atribui o grande endividamento da empresa aos altos custos de produção e aos preços aviltados dos produtos. Segundo ele, o que os produtores reivindicam “é uma renegociação dos débitos a longo prazo e a adoção de uma política agrícola séria, com oferta de recursos suficientes, juros compatíveis com a atividade e garantia de comercialização a preços justos”.
Insatisfação
Embora em sua maioria reconheçam o problema dos produtores, os caminhoneiros não escondem o mau humor com a retenção dos seus veículos nas barreiras. “Eles têm o direito de reivindicar, mas os outros também precisam trabalhar e não têm culpa nenhuma pelo problema”, reclama o motorista Valdir Paulista, com seu caminhão carregado de ovos, retido desde as 15 horas e até às 17h30 sem nenhuma expectativa de liberação.
Valdeci Alves, de Jataí, também esperava liberação para seguir viagem para Goiânia, onde carregaria com óleo diesel. “Acho que o Código Nacional de Trânsito não permite isso. Rodovia não é lugar de protesto. Acho que eles deveriam fechar era o Congresso Nacional, pois é lá que se decide a questão deles”, protestava Valdeci, alegando que já estivera antes retido no protesto de Jataí.