Produtores plantam nova variedade de banana
O projeto de modernização do cultivo de banana é financiado pelo programa de crédito DRS, em Iguatu
Iguatu - Os primeiros frutos do projeto de modernização do cultivo de banana, implantado há três anos, pela Associação dos Fruticultores Iguatuenses, começam a ser colhidos na localidade de Amapá, zona rural deste Município, às margens do Rio Jaguaribe. Até o fim de novembro próximo serão recolhidas cerca de 600 toneladas de banana da variedade Grand Naine do grupo Cavendish. A produção é oriunda de três áreas que totalizam 10 hectares.
O projeto de modernização do cultivo de banana é financiado pelo programa de crédito Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) do Banco do Brasil. O resultado tem despertado à atenção dos técnicos e dos produtores rurais, que ficam impressionados com o tamanho e a qualidade dos frutos no cacho.
Melhorada
A variedade Grand Naine é a banana nanica (popular casca verde) melhorada geneticamente. Além de ser resistente a determinadas pragas, é saborosa e adequada tanto para o consumo de mesa, quanto para a indústria de doces.
De acordo com o presidente da Associação dos Fruticultores Iguatuenses, Murilo Barroso, "é a preferida do mercado europeu. Não tem comparação com a nanica tradicional". Na ponta do lápis, a nova variedade dessa fruta, que pela primeira vez está sendo cultivada neste Município, apresenta resultados significativos. Enquanto a nanica pesa em média 80 gramas, a Grand Naine chega a 200 gramas e os cachos têm maior quantidade de frutos.
Em agosto do ano passado, três produtores integrantes da Associação dos Fruticultores Iguatuenses adquiriram 26 mil mudas de banana da variedade Grand Naine, oriundas do laboratório Campus, da Embrapa de Cruz das Almas, na Bahia. Os frutos têm certificados de qualidade e foram o primeiro passo para alcançar o objetivo da associação, que é a melhoria da qualidade dos frutos, aumento da produtividade e implantação de novas tecnologias de produção.
Primeira safra
A ideia deu certo. "Essa primeira safra representa um exemplo para outros produtores rurais", observou Murilo Barroso. Nos próximos três meses, ele deve colher 240 toneladas do novo fruto. A quase totalidade será comercializada para uma fábrica de doce em Pernambuco. "Já temos um contrato de venda firmado com essa indústria", frisou. "O quilo foi vendido a R$ 0,35". O preço do quilo da nova variedade é outro diferencial em relação à tradicional nanica, que hoje é vendida entre R$ 0,12 a R$ 0,18. Valor a ser adquirido nas áreas de produção. "O mercado é favorável e quem está organizado, tem produtos de qualidade, tem venda certa", destacou Barroso.
Outros produtores
Além de Barroso, dois outros produtores também começaram a colher os primeiros cachos da banana Grand Naine, Armando de Souza, na localidade de Cardoso, e Eliardo Gonçalves. O trio foi quem primeiro adquiriu as mudas oriundas do laboratório da Embrapa, no Estado da Bahia. "Por enquanto não temos o que reclamar", disse Souza. "A bananeira desenvolveu bem e os frutos são de alta qualidade".
Os produtores estão satisfeitos e admirados com o tamanho dos cachos. As bananeiras precisam ser escoradas para suportar o peso dos frutos. "Planto banana há mais de 20 anos, mas nunca tinha visto um fruto desse porte", disse o agricultor, Francisco Oliveira. "É de encantar qualquer um".
Parceria
O coordenador regional da Ematerce, Joaquim Virgulino Neto, destacou a parceria entre a empresa e a Secretaria de Agricultura do Município para a implantação de um novo modelo de produção de banana irrigada, segundo as modernas tecnologias. "Aqui é o resultado concreto de um esforço coletivo, que vai mudar o perfil da bananicultura na região", frisou. "Todos estão satisfeitos".
Aquisição de mudas
A aquisição das mudas é uma das ações da associação para melhoria da qualidade dos frutos. Livre de doenças e geneticamente melhorada, por ser oriunda de laboratório, a variedade Grand Naine é resistente à Sigatoka Amarela, uma doença que costuma atacar a bananeira. Outros associados aguardam a liberação dos recursos do projeto de financiamento para a compra de novas mudas. São 36 associados e 13 já obtiveram o financiamento, no valor individual de R$ 613 mil.
Lucro
"O nosso grupo é formado por pessoas interessadas em ampliar as técnicas"
Murilo Ponciano Barroso
Produtor e pres. da Associação dos Fruticultores
"Quem se dedica à atividade consegue bons resultados, lucro e aumento de produção"
Joaquim Virgulino Neto
Coordenador regional da Ematerce
"É preciso implantar tecnologias para aumentar a renda. A variedade permite isso"
Wélber do Nascimento
Técnico
MAIS INFORMAÇÕES
Associação dos Fruticultores Iguatuenses
Praça Coronel Belizário, 56, Centro
(88) 8817. 1453
PRODUÇÃO
Município de Iguatu tem 400ha de áera cultivada
A associação foi criada há três anos e trabalha para melhorar a produtividade, implantar novas técnicas
De acordo com estimativa da Associação dos Fruticultores Iguatuenses, o Município de Iguatu é o maior do Ceará em número de produtores de banana, que totalizam cerca de 300 agricultores que cultivam cerca de 400 hectares. Mas é o terceiro em produção. "A nossa característica é de pequenas áreas, típicas da agricultura familiar", observa o ex-secretário de Agricultura, Valdeci Ferreira.
A associação foi criada há três anos e trabalha para melhorar a produtividade, implantar novas técnicas de irrigação e comercializar os frutos, sem a interferência de atravessadores. A bananicultura tem tradição e a maior parte do plantio está localizada nos sítios Cardoso, Quixoá, Gadelha e Penha, em várzeas no entorno do Rio Jaguaribe.
Inadequado
A maioria dos produtores segue um modelo produtivo inadequado, com técnicas de inundação, que resulta em elevado consumo de energia elétrica e desperdício de água. Entretanto, a associação quer mudar essa realidade. "Já conseguimos muitos avanços a partir da implantação da irrigação localizada, análise de solo e de água, adubação, espaçamento adequada e técnicas de colheita para não ferir o fruto", disse o técnico agrícola, Wélber Cristóvão do Nascimento, que fornece assistência aos produtores.
Dia de campo
No início desta semana, foi realizado um dia especial de campo no Sítio Amapá, na área de produção de Murilo Barroso, para demonstrar aos produtores rurais a viabilidade do projeto de renovação da bananicultura no Município. "Aqui, o cacho é colhido com esponjas e os frutos são lavados em uma solução com sabão neutro, em um tanque, para neutralizar o látex, e evitar queimar os frutos", explicou Nascimento.
Outra técnica utilizada para antecipar a colheita em um mês e meio é a do corte do mangará, conhecido também por coração da bananeira, a partir da segunda semana. A medida acelera a formação do cacho, antecipando a safra para um período de nove meses.
Fábrica de doces
O próximo passo da associação é a implantação de uma fábrica de doces com financiamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop), Secretaria das Cidades e Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Um total de R$ 81 mil já foi liberado pelo MDA e os produtores aguardam a concessão de mais R$ 136 mil. Parte do produto deverá ser destinada para a merenda escolar na região.
A unidade fabril que vai transformar a banana em doce deverá funcionar em uma escola desativada há mais de dez anos. Para isso, a associação já firmou contrato com a Prefeitura de Iguatu. O grupo está otimista com o projeto.
Potencial
O secretário de Agricultura do Município, Francisco Benigno Sales Neto, conhecido por "Louro da Barra", destacou o potencial produtivo da cidade de Iguatu. "A partir da adequada assistência técnica e de implantação de novas tecnologias, a produção local vai crescer", disse.
"O custo de produção pode ser reduzido com o uso de novas técnicas de irrigação e cultivo", destacou ele. A produtividade média por hectare em um ano da banana nanica convencional é de 30 toneladas. É uma quantidade reduzida.
Primeira safra
A variedade Grand Naine produz na primeira safra 60 toneladas por hectare/ano e na segunda estabiliza em 80 toneladas. "Temos potencial e conhecemos a tecnologia", frisou Barroso. O lucro estimado por hectare de banana é de 40%.
As entidades parceiras deste projeto no Município de Iguatu são Banco do Brasil, Instituto Federal de Educação do Ceará, campus de Iguatu, Sebrae, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, CVT, Ematerce, Secretaria de Agricultura do Município e o Instituto Elo Amigo.