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Profundidade da semente deve ser ajustada às condições do solo

Condição do solo deve orientar deposição da semente de milho


Foto: Leonardo Gottems

A profundidade de deposição da semente é uma das regulagens mais importantes no plantio do milho. O ajuste deve variar conforme a umidade, a textura e as condições físicas do solo, já que sementes posicionadas muito perto da superfície ou em camadas excessivamente profundas podem apresentar atraso na emergência, baixo vigor e falhas no estande.

Mesmo quando o produtor utiliza um híbrido adequado, boa adubação e controle eficiente de plantas daninhas, erros nessa etapa podem comprometer o desenvolvimento inicial da cultura e reduzir o potencial produtivo da lavoura.

A atenção deve ser ainda maior em regiões onde a semeadura ocorre entre agosto e abril. Ao longo desse período, a distribuição irregular das chuvas pode fazer com que uma mesma área passe por condições de excesso e de falta de umidade, exigindo novas avaliações e ajustes na semeadora.

A profundidade corresponde à distância entre a superfície do solo, depois do fechamento do sulco, e o ponto onde a semente foi depositada. Em posições mais profundas, a plântula precisa percorrer um caminho maior até chegar à superfície, consumindo mais reservas e demorando mais para emergir.

Quando o plantio é muito raso, a emergência pode ocorrer mais rapidamente, mas aumenta o risco de a semente permanecer em uma camada seca e sujeita a oscilações de temperatura e umidade. Por isso, não existe uma medida única que possa ser adotada em todas as lavouras.

De modo geral, a faixa entre 3 e 6 centímetros tende a oferecer condições favoráveis quando há umidade contínua nesse perfil. A definição, no entanto, deve ser feita após a avaliação direta do solo e pode mudar de acordo com a textura, a presença de palhada e o histórico de compactação da área.

Solo arenoso pode exigir maior profundidade

Em solos arenosos, a água é drenada com maior rapidez e a camada superficial perde umidade mais facilmente. Esses solos também aquecem e resfriam em menos tempo, o que aumenta a instabilidade das condições próximas à superfície. Nessas áreas, pode ser necessário posicionar a semente um pouco mais profundamente, desde que a distância não comprometa a capacidade de emergência da plântula. O objetivo é alcançar uma camada com umidade mais estável e garantir bom contato entre a semente e o solo.

Nos solos argilosos, o comportamento é diferente. Como há maior retenção de água, o excesso de profundidade pode prolongar a emergência, principalmente em áreas compactadas ou com temperaturas mais baixas. A chuva intensa após a semeadura também pode provocar o encrostamento da superfície. A formação dessa camada endurecida dificulta a saída das plântulas e pode resultar em plantas fracas, tortuosas ou incapazes de emergir.

Umidade deve ser verificada antes da semeadura

Antes de iniciar o plantio, a orientação é abrir pequenas trincheiras e avaliar as condições do solo até aproximadamente 8 ou 10 centímetros. A análise permite identificar se existe uma camada contínua de umidade na faixa em que as sementes poderão ser depositadas.

Quando há boa disponibilidade de água entre 3 e 6 centímetros, não é necessário aprofundar a semeadura apenas para buscar mais umidade. Nesse caso, a prioridade deve ser manter todas as sementes em profundidade semelhante, com regulagem uniforme das rodas limitadoras, dos sulcadores e da pressão aplicada ao conjunto de plantio.

Em áreas com histórico de encrostamento, o plantio excessivamente superficial também pode representar risco. A semente pode ficar logo abaixo da camada endurecida, aumentando a dificuldade de emergência. A regulagem deve, portanto, conciliar disponibilidade de água, capacidade de emergência e condições físicas da superfície.

Plantio em solo seco aumenta riscos

A tomada de decisão é mais delicada quando o solo está seco, especialmente no início da estação chuvosa. A tentativa de “caçar umidade” por meio de uma semeadura muito profunda pode provocar emergência lenta e desuniforme. Quanto maior o caminho percorrido pela plântula, maior será o consumo das reservas armazenadas na semente. Em solos argilosos, compactados ou com torrões, essa condição pode impedir que a planta chegue à superfície com vigor suficiente.

Quando a umidade disponível está em uma camada profunda demais, pode ser mais seguro aguardar uma chuva capaz de umedecer a faixa adequada do que realizar a semeadura em condições desfavoráveis. O plantio “no pó”, feito em solo seco à espera de chuvas posteriores, também envolve riscos. Uma precipitação fraca pode umedecer apenas parte do perfil, iniciando a germinação de algumas sementes enquanto outras permanecem secas. O resultado pode ser uma lavoura com plantas em diferentes estágios de desenvolvimento.

Desuniformidade reduz o potencial produtivo

Os efeitos de uma regulagem inadequada aparecem nas primeiras semanas após o plantio. Plantas que emergem mais tarde competem em desvantagem por luz, água e nutrientes e tendem a apresentar menor capacidade produtiva. Sementes depositadas em solo seco podem não germinar. Plântulas com pouco vigor também podem morrer depois da emergência, formando falhas na linha e reduzindo o número de plantas e de espigas por metro.

Nos plantios excessivamente profundos, especialmente em solos argilosos e compactados, a plântula pode encontrar torrões e camadas densas durante o crescimento. Isso favorece a formação de plantas tortuosas, raízes mal distribuídas e maior suscetibilidade ao acamamento. A emergência atrasada ou irregular ainda amplia o período de exposição a pragas de solo, doenças de plântulas e estresse hídrico.

Teste deve ser feito antes do plantio da área

A regulagem não deve ser baseada apenas nas marcações da semeadora. Antes de plantar toda a área, o produtor deve fazer passadas de teste, interromper a operação e abrir os sulcos para verificar a profundidade real das sementes. A medição pode ser feita com régua ou trena. Caso sejam encontradas diferenças entre linhas ou ao longo do percurso, devem ser ajustadas as rodas limitadoras, a pressão dos componentes e o sistema de abertura e fechamento dos sulcos.

A velocidade de operação também interfere no resultado. Em terrenos irregulares ou com grande quantidade de palha, velocidades elevadas dificultam a manutenção de uma profundidade constante e podem prejudicar a distribuição das sementes. Se houver mudança nas condições de umidade durante a operação, principalmente após uma chuva, a regulagem deve ser novamente conferida.

Palhada e compactação também interferem

No sistema de plantio direto, a palhada ajuda a conservar a umidade e reduz as variações de temperatura na superfície. O benefício, porém, depende do corte adequado dos resíduos e do contato efetivo entre a semente e o solo. Camadas compactadas, como pé de grade, pé de arado ou áreas afetadas pelo tráfego frequente de máquinas, dificultam o posicionamento uniforme e o crescimento das raízes. Quando identificadas, essas condições devem ser corrigidas com planejamento agronômico e manejo específico.

A posição do fertilizante em relação à semente também precisa ser observada para evitar concentração excessiva de sais no início da germinação. Em sistemas irrigados, a aplicação de água pode complementar a umidade da camada semeada, mas não deve ser utilizada como justificativa para deposições excessivamente profundas. Durante qualquer ajuste, a semeadora deve permanecer parada e desligada. O operador também deve utilizar os equipamentos de proteção indicados e seguir as orientações do fabricante.

A profundidade mais adequada para o plantio do milho, portanto, não é determinada por uma medida fixa. A decisão deve combinar avaliação da umidade, textura do solo, quantidade de palha, presença de compactação e capacidade de regulagem da máquina. O equilíbrio entre esses fatores é fundamental para garantir emergência rápida, uniforme e com plantas vigorosas.

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