CI

Proibição do embarque de soja transgênica em Paranaguá impulsiona terminal de Rio Grande


A decisão do governo do Paraná de proibir plantio e transporte de soja transgênica no Estado e o embarque do produto em Paranaguá deve reforçar a posição do porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, como exportador de soja. Se as estimativas mais otimistas se confirmarem, o terminal gaúcho poderá movimentar até 1,3 milhão de toneladas a mais do grão neste ano em relação às 4,04 milhões de toneladas de 2003. Um aumento de 32%.

Segundo o diretor-técnico de Rio Grande, Carlos Renato Rodrigues, o terminal espera receber 1 milhão de toneladas a mais só de soja paraguaia por conta do veto paranaense aos transgênicos. A expectativa é confirmada pelo assistente técnico da Emater-RS, Athaides Jacobsen, mas surpreende o diretor empresarial do porto de Paranaguá, Orsival Francisco.

Segundo Francisco, o porto paranaense não recebe este volume de soja do Paraguai, que estaria concentrando suas exportações através de Nuevo Palmira, no Uruguai.

No ano passado, apenas 333,8 mil toneladas do produto paraguaio (de um total de 5,9 milhões de toneladas de soja em grão) passaram por Paranaguá, disse. Na opinião dele, as especulações sobre a migração das exportações representam uma "pressão negativa sobre a credibilidade do porto no mercado externo". Sabe-se, entretanto, que a safra paraguaia de soja é crescente.

O analista Antônio Sartori, da Brasoja, lembra que, por força de acordo com o governo brasileiro, o Paraguai tem o direito de exportar soja por Paranaguá independentemente da vontade do Estado. Mas, na prática, este ano os paraguaios terão dificuldades para transportar o produto através do Paraná.

Conforme Sartori, o embargo do Paraná aos transgênicos pode ainda desviar para Rio Grande cerca de 300 mil toneladas de soja produzidas no norte do Rio Grande do Sul e que normalmente são exportadas por Paranaguá. Francisco também questiona o dado, afirmando que o porto paranaense continua sendo procurado pelos produtores gaúchos porque a qualidade da armazenagem local costuma garantir preços melhores na comercialização.

Se a migração de 1,3 milhão de toneladas se confirmar, Rodrigues garante que Rio Grande tem condições de absorver com tranqüilidade a nova demanda. Em 2003, o porto exportou um total de 6,7 milhões de toneladas de cereais, aí incluídos 2,3 milhões de toneladas de farelo e óleo de soja, além de trigo, milho e cevada. Mas apenas um dos quatro terminais graneleiros que operam no local pode movimentar 12 milhões de toneladas ano e armazenar 280 mil toneladas. A capacidade dobra quando considerados os outros terminais, afirma o diretor.

Se no porto armazenagem não preocupa, o mesmo não acontece com a situação no interior do Rio Grande do Sul. De acordo com Jacobsen, da Emater-RS, o Estado tem uma capacidade efetiva de estocar, em condições "razoáveis", apenas 15 milhões de toneladas, enquanto a atual safra de grãos é estimada em aproximadamente 22,3 milhões de toneladas e 20% das 5,4 milhões de toneladas de milho colhidas no ano passado ainda estão nos armazéns.

"Se algo muito forte não for feito vamos para um colapso a curto prazo", avalia o superintendente da Conab no Estado, Carlos Farias. Segundo Sartori, da Brasoja, sem condições de estocar a produção, daqui a 60 dias, no pico da safra, os agricultores terão de pagar um frete de R$ 85 para transportar uma tonelada de soja do centro do Estado até Rio Grande, ante R$ 35 hoje. "A diferença consome 15% do lucro do produtor", calcula.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7