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Projeção indica limite para avanço da soja

O IMEA estima produtividade de 62,44 sacas por hectare


O IMEA estima produtividade de 62,44 sacas por hectare O IMEA estima produtividade de 62,44 sacas por hectare - Foto: USDA

A primeira projeção para a safra de soja 2026/27 em Mato Grosso indica uma mudança relevante no ritmo de crescimento da produção agrícola no estado. A avaliação é de Antonio Prado G. B. Neto, consultor de agronegócio, com base nos dados divulgados pelo IMEA/MT.

Segundo a projeção, Mato Grosso deverá plantar 13,05 milhões de hectares de soja no próximo ciclo, alta de apenas 0,25% em relação à safra anterior. O avanço é o menor dos últimos anos e reforça a percepção de que a expansão de área no principal estado produtor do país está próxima do limite. Depois de incorporar cerca de 1,57 milhão de hectares em cinco safras, o aumento da produção tende a depender mais da produtividade, do manejo e da eficiência agronômica.

O IMEA estima produtividade de 62,44 sacas por hectare, queda de 5,43% frente à safra 2025/26. O recuo projetado reflete a preocupação com os riscos climáticos para o próximo ciclo, especialmente diante do aumento das probabilidades de El Niño. A NOAA aponta chances superiores a 90% para o fenômeno a partir do trimestre junho, julho e agosto, com risco crescente de intensidade forte a muito forte entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027.

Caso esse cenário se confirme, o Centro-Norte do Brasil poderá enfrentar atraso das chuvas, veranicos mais frequentes e maior risco para o milho segunda safra. Já a Região Sul tende a registrar volumes de chuva acima da média. Nesse contexto, práticas como construção de perfil de solo, calagem, aprofundamento radicular e maior eficiência no uso de fertilizantes ganham peso na estratégia para proteger a produtividade.

No mercado, soja e milho encerraram maio com preços pressionados e baixa liquidez. A soja permaneceu lateralizada, com comercialização abaixo da média histórica, produtores cautelosos e preços nos portos cerca de R$ 15 por saca abaixo dos níveis observados no início da safra recorde brasileira. O milho também recuou, pressionado pelo avanço do plantio nos Estados Unidos e pelo início da colheita da safrinha no Brasil, acumulando queda próxima de R$ 5 por saca no mercado físico.

Apesar da pressão recente, os fundamentos do milho seguem positivos, sustentados pelo consumo interno para etanol e ração. Em um ambiente de juros elevados, fertilizantes caros e maior risco climático, planejamento, gestão financeira e construção da fertilidade do solo devem ser decisivos para a safra 2026/27.
 

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