Projeto quer combater sementes irregulares no arroz em SC
Material certificado terá origem controlada
Foto: Dolmar Frizon/Fecoagro
O uso de sementes certificadas de arroz deve ganhar força em Santa Catarina a partir da safra 2026/2027. O Governo do Estado lançou nesta quinta-feira (14), em Turvo, um projeto para apoiar financeiramente produtores na compra de sementes de qualidade, com foco em produtividade, segurança no campo e sustentabilidade da cadeia arrozeira.
O Projeto Sementes Certificadas de Arroz foi apresentado durante o Seminário Sul Catarinense de Arroz Irrigado e integra o Programa Terra Boa, coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape).
Segundo dados divulgados pela Sape, a iniciativa foi aprovada pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural (Cederural) e prevê R$ 10,1 milhões em investimentos para a aquisição de até 77 mil sacas de sementes na safra 2026/2027.
Cada agricultor poderá receber apoio para comprar até 40 sacas de 50 kg, com subsídio máximo de R$ 4,8 mil por beneficiário. A estimativa é alcançar mais de 2 mil produtores em Santa Catarina.
“O Projeto Sementes Certificadas de Arroz reforça o apoio do Governo do Estado ao produtor rural, incentivando o uso de sementes de qualidade para garantir mais segurança e produtividade no campo. É uma iniciativa que fortalece essa cadeia produtiva estratégica para Santa Catarina, com forte presença nas propriedades familiares”, destaca o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort.
Material certificado terá origem controlada
De acordo com informações divulgadas pela Sape, as sementes incluídas no projeto deverão ser de variedades desenvolvidas pela Epagri. A produção ficará a cargo de associados da Associação Catarinense de Produtores de Sementes de Arroz Irrigado (Acapsa).
Para garantir rastreabilidade e segurança ao produtor, o material precisará ter registro regular na Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e no Ministério da Agricultura.
A execução do projeto será coordenada pela Secretaria da Agricultura e Pecuária. A operacionalização ficará com a Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro), por meio de acordo de cooperação. Também participam Epagri, Acapsa, cooperativas e casas agropecuárias credenciadas.
Estado é referência nacional na produção de arroz
Santa Catarina chega ao novo programa em um momento de forte desempenho na orizicultura. Segundo dados divulgados pela Sape, o Estado colheu 1,3 milhão de toneladas de arroz na safra 2024/2025, em uma área de 145 mil hectares. O resultado foi recorde e manteve Santa Catarina como o segundo maior produtor nacional do grão.
A importância econômica também é expressiva. De acordo com levantamento da Sape, a cultura movimenta mais de R$ 2,3 bilhões em Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP). Além do peso na economia, o arroz tem papel social relevante. Dos 5.916 estabelecimentos produtores no Estado, cerca de 82% pertencem a agricultores familiares, segundo dados divulgados pela Sape.
Sementes irregulares preocupam o setor
Mesmo com o avanço da produção, os custos seguem pressionando os agricultores. Segundo dados da Epagri/Cepa, esse cenário tem levado parte dos produtores a buscar alternativas mais baratas, como sementes sem certificação, conhecidas como “piratas”.
O problema, porém, pode gerar prejuízos produtivos e aumentar riscos no campo. O diretor de Cooperativismo e Desenvolvimento Rural da Sape, Léo Kroth, afirma que, de acordo com a Epagri, sementes irregulares têm qualidade inferior, comprometem o desempenho das lavouras e ampliam a possibilidade de contaminação por arroz vermelho. O arroz vermelho é uma das principais plantas daninhas da cultura e pode afetar diretamente a produtividade das áreas cultivadas.
“Além dos prejuízos produtivos, o uso desse tipo de material também traz insegurança jurídica e financeira aos agricultores, especialmente em casos de perdas na lavoura e acionamento de seguros agrícola”, enfatiza Kroth.