O financiamento do Pronaf que atende agricultores com renda anual de até cinco mil reais está suspenso em mais de 80 municípios do Ceará. O motivo é o alto índice de inadimplência.
No ano passado, o criador Eder Nino da Costa investiu na pecuária. O pequeno produtor fez um empréstimo utilizando uma linha de crédito do Pronaf, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. Ele comprou três matrizes de vacas leiteiras, mas os animais adoeceram. Uma vaca morreu. Agora, o produtor não consegue saldar a dívida e tenta a renegociação.
Mais de 36 mil operações estão com pagamento em atraso no Estado. O montante da dívida chega a R$ 57 milhões.
O Pronaf está suspenso em mais de 80 municípios. Em algumas cidades a dívida dos produtores ultrapassa um milhão de reais.
Em Iguatu, na região centro sul do Estado, o programa já está suspenso há dois meses. Apenas em uma agência bancária a inadimplência chegou a 20%.
“Infelizmente, nos últimos dois meses aconteceram índices acima de 10% do atraso. Naturalmente, a partir desse momento, o próprio programa rege que tem de paralisar todos esses programas no âmbito do Pronaf comum”, explicou Eugenio de Almeida, gerente do Banco do Nordeste.
Para tentar reverter a situação, os bancos estão visitando os produtores inadimplentes para propor a renegociação das dívidas.
“A gente tem visitado todos os clientes, procurado nas comunidades e esclarecendo por via de telefone e nas rádios. Tudo para reverter esse quadro e começar a aplicar os recursos do Pronaf em Iguatu”, falou Aila Holanda, gerente de financiamento do Banco do Nordeste.
A gerência regional do Banco do Nordeste acredita que até o início de abril, o índice de inadimplência retorne à casa dos 10% e o financiamento recomece.