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Pronamp cresce mesmo com retração no crédito rural

A agricultura empresarial contratou R$ 433 bilhões em crédito rural


Foto: Divulgação

A agricultura empresarial contratou R$ 433 bilhões em crédito rural no Brasil entre julho de 2025 e maio de 2026, dentro do Plano Safra 2025/2026. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o volume caiu 5%, mas a CPR, a industrialização e o Pronamp avançaram em meio ao cenário de juros elevados.

O crédito rural da agricultura empresarial entrou na reta final do Plano Safra 2025/2026 com menor volume contratado, mas com mudanças importantes na composição das operações. Entre julho de 2025 e maio de 2026, os financiamentos somaram R$ 433 bilhões, excluído o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O resultado ficou abaixo dos R$ 458,1 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior, de acordo com levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Os números, ainda provisórios, fazem parte do Boletim de Desempenho do Crédito Rural, elaborado pelo Departamento de Financiamento (Defin), da Secretaria de Política Agrícola do Mapa. A base utilizada é o Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central do Brasil.

Embora o volume total tenha recuado, a Cédula de Produto Rural (CPR) ampliou seu peso no financiamento do setor. Segundo dados divulgados pelo Mapa, as contratações por meio desse instrumento chegaram a R$ 185,2 bilhões, avanço de 8% em relação ao mesmo intervalo da safra passada.

Com o crescimento, a CPR passou a representar 42,8% de todo o crédito rural concedido à agricultura empresarial na safra 2025/2026. No ciclo anterior, essa participação era de 37,4%. Na prática, o instrumento ganhou espaço como uma das principais alternativas para financiar a produção, especialmente em um ambiente de maior seletividade por parte das instituições financeiras.

Quando somadas as operações de custeio e as CPRs, o crédito voltado diretamente à produção alcançou R$ 322,7 bilhões. De acordo com levantamento do Mapa, a retração nesse recorte foi de 2,1%, menor que a queda observada no total das concessões. O dado indica que, apesar do cenário mais restritivo, o financiamento da atividade produtiva teve desempenho relativamente mais estável.

A industrialização foi outro ponto fora da curva no período. Segundo dados divulgados pelo Mapa, os financiamentos para essa finalidade passaram de R$ 19,7 bilhões para R$ 31,5 bilhões, alta de 59,5%. O avanço está associado ao processamento e à agregação de valor aos produtos agropecuários, com participação relevante das cooperativas.

Além do crescimento em valores, a industrialização foi a única finalidade que registrou aumento no número de contratos. De acordo com o boletim, as operações nessa linha cresceram 17,7%, em contraste com o comportamento mais cauteloso observado em outras modalidades de crédito.

Entre os médios produtores, o Pronamp também apresentou resultado positivo. Segundo dados divulgados pelo Mapa, o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural somou R$ 56,4 bilhões em concessões, crescimento de 4,3% frente ao mesmo período da safra anterior. O desempenho foi puxado pelo custeio e reflete medidas do Plano Safra voltadas à ampliação da oferta de recursos para esse público, incluindo o aumento das subexigibilidades dos depósitos à vista.

O quadro foi diferente nos programas de investimento. De acordo com o levantamento do Mapa, as operações desse grupo recuaram 28,1%. A retração foi influenciada pela cautela dos produtores diante das taxas de juros elevadas, que reduziram a disposição para assumir financiamentos de maior prazo.

As quedas mais intensas ocorreram no Proirriga, com retração de 56%; no Prodecoop, com redução de 54%; e no Moderfrota, também com recuo de 54%. Segundo o boletim, a execução abaixo da programação em todos os programas de investimento mostra que a principal limitação está na demanda por crédito, afetada pelo custo financeiro, e não na oferta de recursos.

O documento também aponta que as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais seletivos na concessão. O cenário é influenciado pela instabilidade econômica internacional, pelo aumento da inadimplência, pela elevação dos custos de produção e pelos riscos climáticos enfrentados pelo setor nos últimos anos.

Nas fontes de financiamento, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) Controlada teve forte expansão. Segundo dados divulgados pelo Mapa, a modalidade saiu de R$ 927 milhões para R$ 28,8 bilhões e passou a ocupar a posição de segunda principal fonte de recursos controlados do crédito rural.

A LCA Livre teve movimento oposto, com queda de 38%. Parte dessa redução foi compensada pela Poupança Rural Livre, que cresceu 49,5%, o equivalente a R$ 19,1 bilhões, chegando a R$ 57,6 bilhões em contratações.

Os recursos equalizáveis, com taxas de juros subvencionadas pelo Tesouro Nacional, somaram R$ 48,9 bilhões na safra 2025/2026 e ainda tinham saldo remanescente de 47%. De acordo com o boletim, a redução nessa fonte está relacionada ao aumento das taxas de juros, à maior seletividade dos agentes financeiros e à obrigatoriedade de cumprimento das exigibilidades dos depósitos à vista por cooperativas de crédito e bancos cooperativos, que passaram a direcionar contratações para essa fonte.

Na análise regional, sem considerar as CPRs, a Região Sul liderou as concessões de crédito rural empresarial. Segundo dados divulgados pelo Mapa, foram R$ 74,2 bilhões contratados e 131.109 operações realizadas. Já o Nordeste teve a maior retração em valor entre as regiões, com queda de 26% em relação ao mesmo período da safra anterior.

 

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