Proposta de identificação eletrônica de bovinos da Embrapa é apresentada na Unicamp
Campinas, SP - Acontece em Campinas, SP, hoje dia 8 de maio, o II Workshop em Zootecnia de Precisão, na Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp. O evento conta com o apoio da Fapesp, Sbea, do Programa Avança Brasil do Governo Federal e da própria Universidade.
A tecnologia de identificação eletrônica proposta pela Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS), uma das 40 unidades da Empresa Brasileira de pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAA), base da certificação e rastreamento de bovinos, será apresentada pelo pesquisador Pedro Paulo Pires. Pires desenvolveu um chip eletrônico que é instalado no corpo do animal e permite a identificação deste, mesmo que o gado se desloque no mangueiro ou no campo a uma velocidade igual a 40 km/h. Além disso, desenvolveu os equipamentos de instalação do chip e identificou os locais, no corpo do animal, mais adequados para abrigar o chip: em bezerros recém-nascidos, o chip é instalado na cicatriz umbilical, aproveitando o tratamento que já é feito, normalmente, para a cura do umbigo. No caso de animais adultos, o chip é depositado no rúmen. Após o abate, o chip pode ser reaproveitado para a identificação de outro animal.
O chip, estimulado pela emissão de ondas eletromagnéticas, captadas por uma antena, emite sinal com um número composto por 22 dígitos, em conformidade com os programas internacionais de identificação. Associado a um software de gerenciamento de rebanho, o rastreamento de gado proposto pela Embrapa poderá auxiliar na eficiência produtivas das fazendas de gado, pois ele produz informações imediatas, que servem para auxiliar a tomada de decisões mais rapidamente, além de certificar a qualidade do sistema produtivo nos campos brasileiros: o rastreamento vai apontar a origem e a trajetória percorrida pelo animal do nascimento ao abate, informar do que se alimentou, se esta alimentação foi suplementada, com o quê e quando, que vacinas e medicamentos lhe foram administrados, entre outras. O pacote tecnológico da Embrapa propõe, ainda, a criação de um banco nacional de dados, para fornecer informações sobre animais e rebanhos, como o que já acontece na comercialização de carros, mediante consulta de chassi.
"A informação desse tipo de rastreamento é precisa e auxilia o Governo Federal nos trabalhos de defesa sanitária animal, identificando com maior velocidade rebanhos não vacinados, por exemplo, a trajetória de possíveis disseminadores de doenças, além da procedência e origem dos animais infectados, o que torna mais eficientes a identificação do problema e a atuação dos serviços de prevenção e vigilância sanitária", comenta o pesquisador da Embrapa de Campo Grande.
Zootecnia de Precisão - o tema do workshop na Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp aponta para o incremento na produção agropecuária, mediante o uso de tecnologias eletrônicas avançadas, recursos da informatização e mecatrônica (automação). As ferramentas de precisão já auxiliam produtores rurais no fornecimento automático de rações e identificação da quantidade precisa e necessária de alimentos para o consumo animal, na detecção de cio pela mudança de PH no aparelho reprodutivo da vaca. A atenção desse segundo workshop está centrada nos "desafios da aplicação da rastreabilidade e programas de certificação para o rebanho brasileiro". Entre as apresentações de trabalhos figuram as ações estratégicas do Programa Avança Brasil em agricultura de precisão, procedimentos de certificação e rastreabilidade na cadeia da carne, desenvolvimento de "softwares" e modelos de sistemas de gerenciamento de informação, entre outras.
Até o momento, não havia sido desenvolvida nenhuma maneira de colocar "transponders" dentro do corpo do bovino. "Os brincos de identificação de gado não se aplicam à realidade do Nelore nas condições de sistemas extensivos do cerrado brasileiro. O que mais se aproxima de nossa tecnologia é o uso do transponder na cavidade auricular do bovino, como o que acontece na Europa, mas mesmo isso não se aplica ao Nelore brasileiro criado em pasto ou confinado: tanto o laço do peão, quanto o cauzil ("guilhotina") usado no brete provocam a danificação desse tipo de material", informa Pires. "O chip brasileiro é revestido por porcelana ou resina de mamona, o que aumenta sua resistência a fraturas e sua conseqüente durabilidade. Já o aumento de tamanho dele, se comparado com o chip europeu, permite maior distância de leitura e captação do material", conclui Pedro Paulo Pires.
Uma estação de trabalho (armazenador de dados), uma antena e um computador (pode ser um notebook) compõem o "kit" de trabalho no campo informatizado.