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Proprietário do Friboi confessa cartel

Dono do Friboi confessa operar em regime de cartel unido a pelo menos três outros frigoríficos brasileiros


Reportagem publicada no domingo (27-11) pelo jornal Folha de S. Paulo revela que um dos proprietários do frigorífico Friboi, maior abatedouro de bovinos da América Latina e quarto maior do mundo, confessa operar em regime de cartel unido a pelo menos três outros frigoríficos brasileiros. "Nós, o Bertin, o Independência... os três põe o preço do boi em tudo quanto é Estado. Mato Grosso nós peita... Nós sozinho regulou o preço. Estamos fazendo o preço do Mato Grosso, e os outro acompanha [sic]", disse José Batista Junior, proprietário do Friboi.

"Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas, agora nós estamos em cinco Estado, e nos cinco Estado nós combina com três", diz, nomeando os frigoríficos Independência, Bertin e Mataboi, os quais negam participação no esquema.

Essa combinação que Batista Junior descreve teria o objetivo de forçar os pecuaristas a vender seu gado aos frigoríficos a um preço abaixo da lei da oferta e da procura, deturpando o mercado.

Neste ano, a partir de outra denúncia, foi aberta investigação no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) atrás de provas sobre a prática de cartel no setor. A denúncia partiu da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Entidades que representam o setor pecuário em Mato Grosso do Sul participaram da formulação da denúncia contra os frigoríficos.

Batista Junior, que na semana passada anunciou ser candidato pelo PSDB ao governo de Goiás, fez as declarações diante de testemunhas que estão em guerra comercial com o Friboi. Sem saber, Batista Junior foi gravado e filmado durante as conversas.

Pelo menos três dos quatro supostos integrantes do cartel têm unidades de abate em Mato Grosso do Sul. O Friboi opera o frigorífico do Bairro Nova Campo Grande, na Capital. O Independência tem unidades em Anastácio, Capital e Nova Andradina enquanto o Bertin atua em Naviraí e pretende instalar outra indústria em Campo Grande.

"Contrato de gaveta"

Em uma dessas conversas, também gravada, o irmão de Batista Junior, Joesley Mendonça Batista, afirma ter um "contrato de gaveta" com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), pelo qual assumiu uma dívida de R$ 11,2 milhões do grupo concorrente Araputanga.

Friboi e Araputanga firmaram em 1999 compromisso de arrendamento com opção de compra do frigorífico Araputanga (MT). Os dois protagonizam disputa há anos na Justiça, a qual põe o BNDES em situação delicada.

O banco nega o "contrato de gaveta", mas reconhece ter cometido "erros" na operação e é acusado pelo Araputanga de favorecer financeiramente o Friboi, empresa que concentra R$ 568 milhões em empréstimos do BNDES.

A formação do cartel e o contrato "heterodoxo" com o BNDES foram admitidos pelos proprietários do Friboi em pelo menos três reuniões. Os encontros foram registrados pelo Araputanga, e as gravações, obtidas pela Folha.

O vídeo e o áudio dos registros foram periciados e atestados como autênticos por Ricardo Molina, perito do Laboratório de Perícias da Unicamp e conhecido por sua atuação no caso da morte de PC Farias, em junho de 1996.

Wesley Mendonça Batista, sócio de Batista Junior e Joesley, dá duas explicações para a formação do cartel que seu irmão mais velho confessa nas gravações: acha que a fita ou é "montada" ou não faz sentido, já que os cinco maiores frigoríficos do País teriam um poder de abate de bovinos equivalente a 15% do total nacional. Sobre o "contrato de gaveta" com o BNDES, Wesley afirma que se trata da assunção regular de uma dívida, mesma versão dada pelo banco oficial.

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