Protestos na Espanha miram acordo com Mercosul
Desde o início do ano, agricultores realizam protestos frequentes
Desde o início do ano, agricultores realizam protestos frequentes - Foto: Reprodução
Cerca de 1.500 agricultores espanhóis, acompanhados por 348 tratores, ocuparam nesta quarta-feira o centro de Madrid em protesto contra o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul e contra cortes previstos na Política Agrícola Comum a partir de 2028. A mobilização levou máquinas agrícolas ao coração da capital espanhola e reforçou a pressão do setor primário sobre o governo e as instituições europeias.
Os tratores chegaram à cidade em quatro colunas, partindo dos pontos cardeais em direção ao Ministério da Agricultura. O ato foi convocado pela União de Uniões e pela União Nacional de Associações do Setor Primário Independentes e também ocorreu em outras cidades do país. As organizações criticam o acordo com o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, sob o argumento de que os produtores europeus ficam em desvantagem diante de regras ambientais e sanitárias mais rigorosas dentro da UE. O presidente da Unaspi afirmou que o tratado representaria um golpe final ao setor primário europeu.
Desde o início do ano, agricultores realizam protestos frequentes contra o acordo e contra mudanças na PAC. Em 29 de janeiro, mais de 25 mil pessoas e 15 mil tratores participaram de manifestações em diversas regiões da Espanha.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez voltou a defender o acordo no Parlamento, afirmando que a parceria fortalece relações comerciais e garante previsibilidade. Ele destacou que líderes europeus estão atentos às preocupações do setor e mencionou mecanismos de compensação financeira e a criação de um travão de emergência para importações agrícolas. O acordo foi assinado em 17 de janeiro, mas o processo de ratificação está suspenso após envio ao Tribunal de Justiça da UE.