Quais ações do agro se influenciam com a Rússia?
“Rússia e Ucrânia juntos representam aproximadamente 30% das vendas globais de trigo"
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Na semana passada, as tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia aumentaram após o término de um acordo de grãos. A Ucrânia exportou cerca de 33 milhões de toneladas métricas de grãos pelo Mar Negro. Essa situação impactou os mercados internacionais, incluindo o Brasil, onde o Itaú BBA destacou as duas ações mais expostas ao trigo em meio ao aumento dos preços do cereal.
Na avaliação de Gustavo Troyano, analista de alimentos e bebidas do Itaú BBA, com base nas tensões geopolíticas do ano passado, quando os preços do trigo dispararam, é possível concluir que essa commodity foi a mais impactada. Se as tensões geopolíticas escalarem novamente, é provável que o trigo seja novamente afetado.
“Rússia e Ucrânia juntos representam aproximadamente 30% das vendas globais de trigo, e caso os canais de exportação sejam interrompidos, assim como no ano passado, essa poderia ser a variável mais impactada das que são representativas nos custos das empresas de alimentos e bebidas listadas”, comenta.
De acordo com o analista Gustavo Troyano, as empresas M. Dias Branco (MDIA3) e Camil (CAML3), listadas na B3, tiveram bom desempenho no ano passado, mesmo em meio ao cenário de pressão de custos causado pelas altas do trigo. Essas empresas conseguiram lidar com a situação ao aumentar seus estoques antes da disparada do preço do cereal no mercado internacional. Essa estratégia permitiu que elas enfrentassem melhor os desafios relacionados ao aumento dos custos do trigo e mantivessem um bom desempenho financeiro.
“MDIA3 conta com maior exposição do que CAML3, logo, acreditamos que uma escalada dos preços deve impactar mais as margens da empresa. Ainda assim, ressaltamos que o cenário quanto às tensões segue incerto e as projeções se baseiam no que vimos no ano passado”, conclui.