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Quando iniciar o controle do pulgão no algodão

Decisão correta evita prejuízos no algodão


Foto: Canva

O pulgão é uma das primeiras pragas a surgir nas lavouras de algodão e também uma das que mais exigem atenção dos produtores. Mais do que definir como combater o inseto, a principal decisão está em identificar o momento correto para iniciar o controle químico, evitando aplicações antecipadas, que elevam os custos e comprometem a ação dos inimigos naturais, ou intervenções tardias, quando as perdas de produtividade e qualidade já estão instaladas.

Na safra entre outubro de 2025 e setembro de 2026, em regiões produtoras como Bahia e Mato Grosso, a decisão de aplicar inseticidas deve considerar três fatores principais: o estágio de desenvolvimento da planta, o nível de infestação e o equilíbrio biológico da área, com a presença de inimigos naturais e de outras pragas. O manejo integrado de pragas é apontado como a estratégia mais eficiente para definir o momento da intervenção.

O principal inseto associado ao algodoeiro é o Aphis gossypii, conhecido como pulgão-do-algodoeiro. Com cerca de um a dois milímetros de comprimento, ele se multiplica rapidamente em condições de clima quente e seco e forma colônias em brotações, folhas jovens, pecíolos e ponteiros das plantas.

Os prejuízos provocados pela praga ocorrem pela sucção da seiva, que reduz o vigor das plantas e provoca o enrolamento das folhas, pela produção de honeydew, que favorece o desenvolvimento da fumagina e pode comprometer a qualidade da fibra, e pela transmissão de viroses, como o mosaico-do-algodoeiro, em regiões onde o patógeno está presente.

Por esses motivos, o pulgão é considerado uma praga-chave no início do ciclo do algodoeiro, podendo comprometer o estabelecimento da lavoura, o desenvolvimento inicial das plantas e, em casos de alta infestação, a qualidade da produção.

O ciclo da praga é curto e marcado por elevada capacidade de reprodução, muitas vezes sem necessidade de acasalamento, o que favorece aumentos rápidos da população em poucos dias.

As infestações costumam começar logo após a emergência das plantas e se intensificam até o estágio de quatro a seis folhas verdadeiras, período em que há maior disponibilidade de tecidos jovens. A fase mais crítica para a cultura ocorre durante o desenvolvimento vegetativo inicial, até o fechamento das entrelinhas e o surgimento dos primeiros botões florais.

Em plantas mais desenvolvidas, com sistema radicular consolidado e maior área foliar, a cultura apresenta maior capacidade de suportar infestações moderadas, especialmente quando há presença de inimigos naturais na lavoura.

Segundo o material técnico, a decisão sobre o controle químico deve ser mais criteriosa nas fases iniciais, quando poucas plantas atacadas já podem comprometer o potencial produtivo da área.

Aplicações antecipadas ou desnecessárias podem elevar os custos por hectare, reduzir populações de joaninhas, crisopídeos e outros inimigos naturais, favorecer surtos de pragas como ácaros e mosca-branca e acelerar a seleção de resistência do pulgão aos inseticidas.

Por outro lado, o atraso no controle pode resultar em perda de área foliar, redução do vigor das plantas, aumento do risco de transmissão de viroses, desenvolvimento de fumagina, prejuízos à qualidade da fibra e necessidade de aplicações corretivas adicionais.

A decisão de iniciar o controle químico deve considerar simultaneamente o estágio da cultura, a intensidade da infestação, a presença de inimigos naturais, as condições climáticas e o histórico da área.

Entre a emergência e o estágio de quatro folhas verdadeiras, o algodoeiro apresenta maior sensibilidade aos ataques. Como as plantas ainda possuem pouca área foliar e menores reservas, infestações intensas podem comprometer o desenvolvimento e reduzir o número de estruturas reprodutivas.

Entre quatro folhas e o fechamento das entrelinhas, a cultura ganha capacidade de compensação. Nesse período, infestações leves ou moderadas podem ser toleradas quando há boa atuação de inimigos naturais e monitoramento constante.

Na fase reprodutiva, que compreende a formação de botões, flores e maçãs, o algodoeiro suporta melhor a presença do pulgão, embora ataques prolongados possam favorecer a fumagina e reduzir a eficiência fotossintética, além de comprometer a qualidade da produção.

Os níveis de ação para iniciar o controle variam conforme a região, o sistema de produção e as recomendações técnicas, mas o monitoramento deve observar tanto a proporção de plantas infestadas quanto a intensidade das colônias.

O material recomenda atenção especial quando plantas jovens apresentam folhas novas encarquilhadas e colônias densas nos ponteiros, quando há crescimento acelerado da população entre uma avaliação e outra e quando já se observa produção de honeydew e início de fumagina em grande parte das plantas.

Nos estágios iniciais, a recomendação é adotar critérios mais conservadores devido à menor capacidade de recuperação da cultura. Em plantas mais desenvolvidas, a tolerância tende a ser maior, principalmente quando há boa população de inimigos naturais.

Joaninhas, crisopídeos, sírfidos, percevejos predadores e fungos entomopatogênicos desempenham papel importante no controle natural da praga e ajudam a manter as populações abaixo do nível econômico.

Quando esses inimigos naturais estão presentes em quantidade significativa e as colônias permanecem estáveis ou em redução, o monitoramento pode ser intensificado antes da adoção do controle químico.

Já quando a população de pulgões cresce rapidamente e a presença de inimigos naturais é reduzida, principalmente em plantas jovens, o risco aumenta e a intervenção tende a ser necessária.

As condições climáticas também influenciam diretamente o comportamento da praga. Temperaturas elevadas e baixa umidade favorecem a multiplicação do pulgão, tornando necessário reduzir o intervalo entre as inspeções da lavoura.

Em áreas com histórico de viroses transmitidas pelo inseto, o acompanhamento deve ser ainda mais rigoroso, uma vez que populações moderadas podem causar prejuízos quando o vírus está presente.

Antes de decidir pela aplicação de inseticidas, o produtor deve percorrer a lavoura em diferentes talhões, observar folhas jovens e ponteiros, avaliar a intensidade das colônias, registrar a presença de inimigos naturais, verificar o estágio da cultura e considerar a previsão climática para os dias seguintes.

Quando a avaliação indicar alta porcentagem de plantas infestadas, colônias densas, baixa presença de inimigos naturais e plantas ainda em desenvolvimento inicial, o conjunto dessas condições representa forte indicativo para o início do controle químico.

Mesmo quando necessária, a aplicação deve integrar um programa de manejo integrado de pragas, com rotação de ingredientes ativos, preferência por produtos seletivos aos inimigos naturais e sincronização com o manejo de outras pragas iniciais do algodoeiro, como a mosca-branca.

O material ressalta que a escolha do inseticida e da dose deve seguir rigorosamente as recomendações de rótulo, bula e receituário agronômico, sempre considerando a legislação vigente e as boas práticas agrícolas.

Também é indispensável utilizar equipamentos de proteção individual durante o preparo da calda e a aplicação, respeitar as condições adequadas para pulverização, os períodos de reentrada e carência e realizar o descarte correto das embalagens vazias.

Como orientação prática, o monitoramento deve começar desde a emergência da cultura, ser intensificado até o fechamento das entrelinhas, considerar simultaneamente a infestação, o estágio das plantas e a presença de inimigos naturais, além de integrar todas as decisões ao manejo integrado de pragas.

O conteúdo reforça que os parâmetros de amostragem, os níveis de ação e as estratégias de controle podem variar conforme a região, a cultivar e as condições da lavoura. Por isso, o acompanhamento de materiais técnicos atualizados e a orientação de um engenheiro agrônomo são considerados fundamentais para adaptar o manejo à realidade de cada propriedade.

O texto destaca ainda que as informações apresentadas têm caráter informativo e não substituem a avaliação técnica realizada por um engenheiro agrônomo em condições reais de campo.

Como base técnica para as recomendações, o material cita publicações da Embrapa Algodão, além de obras de referência sobre manejo integrado de pragas e entomologia agrícola, incluindo estudos organizados por pesquisadores da instituição e trabalhos de autores como D. Gallo e colaboradores.
 

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