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Queda de polinizadores acende alerta

“O Brasil depende dos serviços ecossistêmicos prestados pelos polinizadores"


“O Brasil depende dos serviços ecossistêmicos prestados pelos polinizadores" “O Brasil depende dos serviços ecossistêmicos prestados pelos polinizadores" - Foto: Pixabay

A queda nas populações de polinizadores amplia a preocupação com a biodiversidade, a regeneração de florestas e a produção de alimentos. Esses animais são responsáveis pela reprodução de mais de 95% das plantas silvestres e cultivadas no mundo e exercem papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas.

O alerta está em estudo publicado na revista científica Neotropical Entomology. A análise aponta que o Brasil acumula conhecimento científico sobre o tema, mas ainda carece de políticas públicas integradas e de uma legislação específica para proteger polinizadores.

“O Brasil depende dos serviços ecossistêmicos prestados pelos polinizadores, mas figura entre os maiores consumidores globais de pesticidas”, alerta Juliana Hipólito, pesquisadora do INMA e primeira autora do estudo.

Segundo dados do IBGE citados no estudo, 16,14%, em média, da produção agrícola e extrativista no país dependem desse serviço ecológico, percentual que pode chegar a 25%. A redução dessas populações afeta a reprodução de plantas, a diversidade genética e a recuperação de ambientes naturais.

Entre os principais fatores de pressão estão a perda de habitats e o uso intensivo de agrotóxicos. O estudo destaca que o Brasil segue entre os maiores consumidores globais de pesticidas, cenário que aumenta os riscos para espécies vulneráveis, como as abelhas nativas sem ferrão. Mesmo doses baixas podem comprometer o desenvolvimento e a sobrevivência desses insetos.

Os autores defendem monitoramento nacional, redução de incentivos a agrotóxicos mais tóxicos, práticas agrícolas sustentáveis, restauração de habitats e preservação de vegetação nativa próxima às áreas produtivas. “A preservação de áreas de vegetação nativa próximas às lavouras não apenas protege a biodiversidade, mas fortalece as interações ecológicas que sustentam os próprios ecossistemas. Esses ambientes funcionam como refúgios e fontes de alimento para polinizadores, contribuindo para a manutenção de ciclos naturais essenciais”, conclui.
 

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