Queda do PIB acende alerta dentro das empresas do agro
Outro ponto está na gestão de pessoas
Outro ponto está na gestão de pessoas - Foto: Divulgação
A queda do PIB do agronegócio no primeiro trimestre de 2026 reforça os efeitos de uma virada de ciclo que alcança produtores e empresas ligadas ao setor. A avaliação é de André Franco, executivo do agronegócio, que chama atenção para os impactos desse cenário sobre fornecedores, equipes comerciais e decisões de gestão.
No período, todos os segmentos recuaram. Insumos caíram 2,15%, o segmento primário 4,15%, a agroindústria 1,03% e os agrosserviços 1,25%. Em insumos, máquinas e defensivos registraram simultaneamente queda de preços e volumes.
Segundo a análise de Franco, um dos primeiros efeitos é a maior pressão sobre fornecedores. Com menor renda e mais incerteza, produtores tendem a adiar compras, negociar mais e elevar a seletividade. Para a indústria, vender menos e ainda enfrentar pressão sobre preços exige disciplina comercial.
Outro ponto está na gestão de pessoas. Metas definidas com base em ciclos favoráveis podem gerar frustração, enquanto vendedores acostumados a um mercado comprador precisam se adaptar a um ambiente de maior resistência. Nesse contexto, a liderança passa a ser testada na capacidade de ajustar expectativas, manter a energia das equipes e preservar a direção estratégica.
Franco também avalia que períodos de crescimento podem esconder ineficiências e estruturas inchadas. Quando o mercado perde força, fica mais clara a diferença entre empresas que construíram vantagem competitiva e aquelas que apenas se beneficiaram de um ciclo favorável. Esse movimento pode se refletir em reestruturações, consolidações e operações de fusões e aquisições.
A leitura é que os ciclos seguirão no agro. O desafio não é apenas atravessar a baixa, mas sair dela em posição melhor, com a qualidade da gestão tendo papel decisivo quando o mercado aperta.