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Radiação solar é peça-chave no enchimento de grãos do milho

Luz durante enchimento de grãos influencia desempenho do milho


Foto: Agrolink

A disponibilidade de luz durante o enchimento de grãos tem papel importante no desempenho produtivo do milho. Nessa fase, a radiação que chega às folhas sustenta a fotossíntese e a produção de compostos que serão direcionados às espigas. Quando o sombreamento se torna excessivo, a atividade fotossintética diminui e pode comprometer o número de grãos cheios, o peso de mil grãos e a produtividade final.

A quantidade de luz disponível para a planta não depende apenas das condições climáticas. A distribuição das plantas na lavoura também interfere na entrada de radiação. Populações muito elevadas, espaçamentos inadequados e estandes desuniformes podem intensificar o sombreamento dentro do dossel, conjunto formado pelas folhas e demais estruturas aéreas da cultura.

O milho possui metabolismo C4, característica fisiológica que permite elevada eficiência no uso da luz. Quando encontra condições adequadas de radiação, água e nutrientes, a cultura consegue manter altas taxas de fotossíntese. Entre a fecundação e a maturidade fisiológica, as espigas passam a demandar grande quantidade dos carboidratos produzidos pela planta. Nesse período, as folhas que permanecem verdes exercem função essencial na produção de fotoassimilados, compostos formados durante a fotossíntese e utilizados, entre outras funções, na formação de amido nos grãos.

Quando essas folhas recebem menos luz devido ao excesso de plantas ou a um arranjo inadequado, a fotossíntese líquida diminui. Com isso, também pode cair a quantidade de assimilados disponível para o enchimento dos grãos.

Sombreamento pode acelerar envelhecimento das folhas

A radiação solar também interfere no tempo em que as folhas permanecem ativas. Quando a população está adequada às características do híbrido e às condições de água e fertilidade, o dossel consegue interceptar boa parte da luz e, ao mesmo tempo, manter melhor distribuição da radiação e aeração entre as plantas.

Esse equilíbrio favorece a permanência de folhas verdes durante mais tempo e prolonga o período de enchimento efetivo dos grãos.

O cenário é diferente quando a densidade de plantas é excessiva ou quando linhas muito próximas são adotadas sem os ajustes necessários. Nessas condições, o sombreamento atinge principalmente as folhas das partes inferior e intermediária da planta e, em situações mais intensas, pode alcançar também folhas superiores.

Uma das consequências é a aceleração da senescência, processo natural de envelhecimento das folhas. Com a redução antecipada da área foliar funcional, a planta perde capacidade de produzir os carboidratos necessários para sustentar o enchimento dos grãos por mais tempo.

Aumento da população tem limite

O uso de maior número de plantas por área não significa, necessariamente, aumento de produtividade. Híbridos modernos podem tolerar populações mais elevadas do que materiais antigos, mas existe um limite a partir do qual o aumento da densidade deixa de resultar em maior rendimento.

Em situações de adensamento excessivo, o peso dos grãos por espiga pode diminuir. A planta tende a direcionar recursos para a manutenção do caule e da espiga principal, reduzindo a disponibilidade de assimilados por grão.

A limitação de luz pode ainda favorecer o aborto de flores ou comprometer grãos mal fecundados, especialmente quando o sombreamento ocorre junto com restrições de água ou nutrientes.

Não existe, porém, um número único de plantas por hectare que possa ser considerado excessivo para todas as situações. O limite varia de acordo com o híbrido, o ambiente de produção, a disponibilidade hídrica e nutricional e outras condições da lavoura.

Arquitetura do híbrido interfere na distribuição da luz

A posição das folhas também influencia a forma como a radiação solar atravessa o dossel. Híbridos com folhas mais eretas permitem maior penetração de luz nas partes inferiores da planta, reduzindo o sombreamento e favorecendo o aproveitamento da radiação.

Já plantas com folhas mais horizontais, principalmente quando cultivadas em linhas muito próximas, podem promover fechamento mais rápido do espaço entre as linhas. Isso aumenta o risco de sombreamento ainda em fases relativamente iniciais da cultura.

Por esse motivo, população e espaçamento precisam ser analisados em conjunto. A interação entre densidade de plantas, distância entre linhas e arquitetura foliar determina como a luz será distribuída dentro da lavoura.

Safra e safrinha impõem condições diferentes

As condições de luminosidade também mudam ao longo do calendário agrícola. Em estados produtores como Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Piauí, Paraná e Rio Grande do Sul, o milho pode ser cultivado tanto na safra quanto na safrinha, muitas vezes em sucessão à soja.

Na safra, a radiação solar pode ser mais abundante, mas períodos de maior nebulosidade e excesso de água podem reduzir o aproveitamento efetivo da luz pelas plantas.

Na safrinha, apesar da possibilidade de elevada radiação, o encurtamento do fotoperíodo em determinadas épocas e a maior ocorrência de estresse hídrico podem dificultar a manutenção das folhas verdes durante o enchimento dos grãos.

Essas diferenças tornam necessário ajustar o arranjo de plantas às condições de cada ambiente. Em áreas de maior potencial produtivo, com boa disponibilidade de água e nutrição equilibrada, é possível trabalhar com densidades maiores, desde que o híbrido tenha capacidade para suportar o adensamento e que o espaçamento favoreça a entrada de luz.

Em áreas com maior risco de déficit hídrico durante o enchimento dos grãos, populações mais moderadas podem ajudar a diminuir a competição por luz, água e nutrientes, preservando a área foliar funcional por mais tempo.

Época de semeadura interfere na fase de maior demanda por luz

O momento de implantação da lavoura também influencia as condições encontradas durante o período reprodutivo. A maior exigência do milho por luz ocorre entre o pendoamento e o final do enchimento dos grãos.

Dependendo da região, uma semeadura muito tardia pode fazer com que essa fase coincida com meses de menor radiação solar ou maior frequência de nebulosidade. Nessas condições, a capacidade de completar o enchimento dos grãos pode ser reduzida mesmo quando a população de plantas está adequada.

Semeaduras posicionadas de forma a aproximar o período de maior demanda da cultura das épocas com maior disponibilidade de radiação tendem a favorecer o peso dos grãos e a estabilidade da produtividade.

Não há, contudo, uma única janela de semeadura indicada para todas as regiões. As condições de radiação, clima e disponibilidade hídrica variam entre os diferentes estados e sistemas de produção.

Manejo deve considerar as condições de cada lavoura

O aproveitamento da luz no milho resulta da interação entre clima, população de plantas, espaçamento, arquitetura do híbrido e época de semeadura. Por isso, o planejamento não deve considerar nenhum desses fatores de forma isolada.

A escolha do arranjo de plantas deve levar em conta as características do híbrido, o histórico de produtividade da área, a disponibilidade esperada de água, as condições nutricionais e o período em que a lavoura passará pela fase reprodutiva.

Quando população e espaçamento estão ajustados às condições do ambiente, a lavoura pode melhorar a interceptação da radiação, manter folhas verdes por mais tempo e sustentar o enchimento dos grãos. Em contrapartida, o excesso de plantas e o sombreamento interno aumentam a competição e podem reduzir a quantidade de carboidratos destinada às espigas.

As decisões sobre população, espaçamento e época de semeadura devem considerar recomendações de pesquisa para cada região e as condições específicas da propriedade, com acompanhamento de um engenheiro agrônomo.

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