Região Sul flexibiliza comércio interestadual de aves e suínos
A medida foi tomada porque é intensa a transação para abate ou para engorda
O Rio Grande do Sul e Santa Catarina decidiram flexibilizar o trânsito de animais e produtos de origem animal entre os dois estados. A decisão, tomada na terça-feira (11-10) durante reunião na Superintendência Federal de Agricultura, em Porto Alegre, vale para aves e suínos de produtores integrados e carnes derivadas desses animais com Selo de Inspeção Federal (SIF).
A medida foi tomada porque é intensa a transação desses animais para abate ou para engorda em unidades industriais e granjas dos dois estados. “Não podemos abalar economicamente esse segmento”, considera José Euclides Vieira Severo, superintendente substituto do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul. Mesmo com a flexibilização, o transporte está sendo rigorosamente fiscalizado, salienta o dirigente.
Em Santa Catarina, a proibição é mais abrangente. O governo catarinense interditou toda a entrada de animais, produtos, subprodutos de origem animal e materiais de multiplicação animal originários de Estados ao Norte de sua divisa. Também proibiu o ingresso de grãos e frutas vindos dos municípios de Eldorado, Itaquiraí, Iguatemi, Japorã e Mundo Novo, todos em Mato Grosso do Sul.
O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, criticou o governo federal pelo contingenciamento de verbas para a defesa sanitária e prometeu ingressar com uma representação contra o Ministério da Agricultura - sem detalhar que tipo de medida seria - questionando a retenção de recursos. Sperotto disse que a possível retirada da vacinação do rebanho gaúcho seria discutida em breve no Estado, mas agora o assunto deve ficar em suspenso.
A decisão da cadeia produtiva gaúcha com técnicos de sanidade animal não foi unânime. O diretor do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados (Sicadergs), José Alfredo Knorr, defendeu a proibição de todos os animais e produtos. “O Mapa está garantindo que este risco não existe”, reproduziu Knorr, ao final da reunião. Além de três barreiras fixas, outras três móveis estão atuando na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, na fiscalização das cargas. Normalmente, há apenas três pontos de controle.