Após pesquisa de cinco safras, regulador de crescimento promete até 5 sacas a mais por hectare
Eficiência fisiológica ganha protagonismo
Foto: Anderson Wolf
A empresa brasileira Nitro lançou o Stay Up, primeiro regulador de crescimento para soja com molécula e mecanismo de ação inéditos no mercado. O produto foi apresentado a produtores e consultores da região de Sorriso (MT), um dos principais polos sojicultores do país, com resultados de cinco safras de pesquisa que apontam incremento médio de aproximadamente cinco sacas por hectare na safra 25/26 e retorno sobre investimento superior a duas vezes o valor aplicado.
As projeções para a safra 2026/27 indicam crescimento marginal da área plantada de soja no Brasil, pressionado pelo alto custo de fertilizantes, riscos climáticos e menor espaço para expansão agrícola. Em Mato Grosso, principal estado produtor do país, a estimativa inicial do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta avanço inferior a 0,3% na área plantada. Com margens apertadas e pouco espaço para crescer em área, o caminho que sobra é produzir mais e melhor dentro das fazendas que já existem.
É nesse contexto que tecnologias voltadas à regulação do crescimento e à eficiência fisiológica ganham protagonismo. "O desafio agora não é apenas produzir mais, mas produzir melhor, com mais eficiência e estabilidade produtiva. A regulação de crescimento deve se tornar um novo padrão de manejo na soja brasileira", afirma Vinícius Marangoni, gerente de portfólio de nutrição, fisiologia e adjuvantes da Nitro.
Durante a apresentação em Sorriso, Marangoni abriu com uma provocação técnica direta: o maior gargalo da sojicultura brasileira não está na falta de insumos, mas na arquitetura das plantas. O argumento parte de um dado da fisiologia vegetal — 75% da produtividade da soja é determinada pelo número de vagens — e de uma característica que diferencia lavouras de alta performance das demais: 50% do potencial produtivo de uma soja de excelência está no terço inferior da planta, o chamado baixeiro. O problema é que o sistema produtivo atual, com alta fertilidade, uso intensivo de estimulantes e proteção foliar intensa, favorece o crescimento vegetativo excessivo. O resultado são plantas estioladas, baixeiro descoberto, perda de pegamento de vagens nas porções inferiores e, nos casos mais graves, acamamento. "Nós tínhamos fungicida, herbicida, inseticida, nutrição, estimulante. Tínhamos tudo. Mas não tínhamos uma ferramenta segura, estável e específica para trabalhar arquitetura de plantas", afirmou o gerente de portfólio. Para ele, o acamamento é apenas o sintoma mais visível de um problema que começa muito antes: "Quando acontece o acamamento, muitas vezes já se perderam dez sacas de produtividade. O problema está acontecendo muito antes."
O produto atua sobre o equilíbrio hormonal entre auxina e citocinina, dois hormônios que regulam o crescimento e a divisão celular na soja. A auxina, produzida no ápice da planta e transportada para as regiões inferiores, é o hormônio do crescimento. Quando em excesso, ela inibe a citocinina, responsável pelo engalhamento e pelo pegamento de vagens. O Stay Up age como inibidor específico do transporte de auxina — reduzindo levemente esse fluxo, sem bloquear a produção — e permite que a citocinina natural da planta se expresse com mais intensidade, favorecendo maior número de galhos e melhor pegamento de vagens.
Na prática, o efeito se traduz em plantas com porte mais equilibrado, entrenós mais curtos, maior retenção de vagens no baixeiro e dossel menos suscetível ao acamamento. O produto também facilita a penetração de fungicidas e inseticidas nas aplicações tardias, já que as plantas mantêm uma arquitetura mais aberta e acessível. "Será que não estamos perdendo uma aplicação de fungicida só porque não conseguimos atingir o baixeiro?", questionou Marangoni durante o evento, apontando o tema como linha de pesquisa a ser aprofundada.
Segundo a empresa, o mecanismo de ação é tão específico à fisiologia da soja que o efeito do produto ocorre independentemente de cultivar, região ou clima — o que varia é a intensidade da resposta. "O mecanismo de ação faz com que qualquer cultivar de soja tenha resposta. Eu não estou dizendo que vai incrementar em 100% dos casos, mas o efeito do produto vai estar acontecendo independente de cultivar, região ou clima", explicou Marangoni. A recomendação oficial é de duas aplicações: a primeira entre V4 e V7 e a segunda em V8, sempre acompanhadas do adjuvante indicado pela Nitro.
O processo de validação do Stay Up envolveu mais de 400 campos experimentais e comerciais, mais de 100 cultivares testadas ao longo de cinco safras, 50 instituições parceiras — entre elas Embrapa, Fundação IP, Fundação IDS, Fundação IMAGO e a consultoria Grower. O produto passou pelos processos de comprovação científica, eficiência agronômica, segurança ambiental e aprovação junto ao Ministério da Agricultura, Ibama e Anvisa, sendo registrado como regulador de crescimento — categoria sujeita ao mesmo rigor regulatório de herbicidas e fungicidas.
Na safra 25/26, o incremento médio apurado foi de aproximadamente cinco sacas por hectare, com 85% dos ensaios apresentando resultados positivos em nível nacional. Na região de Sorriso, onde as condições de nebulosidade e o manejo intensivo potencializam a resposta ao produto, os indicadores foram ainda mais expressivos: 86% de ensaios positivos e incremento médio de 5,4 sacas por hectare, com 18 trabalhos conduzidos na safra. Segundo Marangoni, esses números tendem a subir com a conclusão das colheitas ainda em andamento no Rio Grande do Sul e em outras regiões.
Entre os produtores presentes no evento em Sorriso, Fabiano Zilli, da região de Colíder (MT), dividiu sua experiência com o produto ao longo de três safras. Segundo ele, a adoção começou impulsionada pelos desafios das áreas mais férteis de sua propriedade, onde a soja tende a crescer em excesso e o acamamento é recorrente. "A gente tem áreas que acamam muito a soja. A partir do momento em que começamos a trabalhar com o produto nas maiores áreas, com uma única aplicação de 450 ml, vimos diferenças. Pega mesmo o baixeiro, dá diferença de acabamento — e onde passou não teve nenhum problema de acamamento", relatou Zilli.
O produtor destacou ainda o efeito sobre o pegamento de galhos e a distribuição das vagens ao longo da planta. Em um ensaio conduzido pela Nitro em sua propriedade na safra 25/26, com a cultivar Olímpica e em área de alta fertilidade, o incremento registrado foi de 11,41 sacas por hectare — resultado que, segundo o próprio produtor, foi influenciado por condições específicas daquela área, mas que ilustra o potencial da tecnologia em lavouras de alto patamar produtivo. Consultado sobre a perspectiva para as próximas safras, Zilli foi direto: "A gente já está com 50% da área consolidada com o produto."
Marangoni explicou que, ao delimitar o perfil de lavoura para o qual o produto faz mais sentido. Em áreas com baixo potencial produtivo, onde a produtividade média fica em torno de 50 a 60 sacas por hectare e outros gargalos de manejo ainda não foram resolvidos, o retorno sobre o investimento tende a ser menos competitivo em relação a outras prioridades. "O produto é para as melhores áreas de vocês. Se for uma área fraca, talvez a prioridade de investimento seja outra", pontuou o gerente de portfólio. Por outro lado, em lavouras irrigadas, de alta fertilidade e com manejo intensivo, a resposta tende a ser ainda mais expressiva, já que o ambiente favorece o crescimento vegetativo exagerado — exatamente o problema que o Stay Up se propõe a controlar.
A empresa também faz um paralelo com o cloreto de mepiquat, regulador de crescimento consolidado no algodão brasileiro e hoje considerado indissociável do manejo da cultura. A expectativa é que o Stay Up percorra trajetória semelhante na soja, à medida que produtores, consultores e pesquisadores aprofundem o conhecimento sobre doses, épocas e cultivares mais responsivas. "O maior conhecedor do produto vai ser o produtor, que vai aprender no detalhe da fazenda, da área, do momento, da aplicação", disse Marangoni.