Relatório aponta desafios e oportunidades no agro
Cotações estão pressionadas
Cotações estão pressionada - Foto: Seane Lennon
O agronegócio brasileiro entra no segundo semestre diante de um cenário marcado por ajustes de mercado, mudanças na dinâmica global de oferta e demanda e atenção crescente às condições climáticas. Segundo a edição de junho do relatório Agroinfo, publicada pelo Rabobank, diferentes cadeias produtivas devem enfrentar desafios e oportunidades nos próximos meses.
No mercado de grãos, a entrada da nova safra e o aumento dos estoques globais vêm pressionando as cotações. O movimento é mais evidente no milho, em um ambiente de maior relação entre estoques e consumo, fator que reduz o suporte aos preços internacionais.
No segmento do algodão, o Brasil reforça sua posição no comércio exterior. Os embarques avançaram 17% e o país se consolida como o maior exportador global da fibra. A expectativa é de mais uma safra robusta, mesmo em um contexto macroeconômico considerado desafiador.
Para a carne bovina, a avaliação é de que o ritmo positivo observado nos últimos meses pode perder força no terceiro trimestre. Após recordes de exportação impulsionados pela demanda chinesa, responsável por cerca de 45% dos embarques, o possível esgotamento de cotas tende a reduzir as vendas externas e aumentar a pressão sobre os preços no mercado doméstico.
O mercado de suco de laranja segue enfrentando dificuldades. Apesar da produção menor, os preços continuam pressionados por uma queda estrutural da demanda global e pela manutenção de estoques elevados.
Na cadeia do leite, o relatório aponta uma recuperação moderada. Os preços pagos ao produtor apresentam alta em meio à desaceleração da oferta, embora a demanda possa ser afetada pela inflação e pelo endividamento das famílias.
Já para a celulose, a perspectiva é mais favorável. Cortes de produção e níveis menores de estoques devem contribuir para uma recuperação dos preços no fim de 2026.
O Rabobank também chama atenção para o aumento do risco de ocorrência de um evento de El Niño no segundo semestre. Caso se confirme, o fenômeno climático poderá afetar pastagens, a produtividade de grãos e o desempenho de outras culturas agrícolas.