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Resgate de sementes nativas contribui para biodiversidade e segurança alimentar

Os Bancos de Sementes de Mampituba e Novo Hamburgo estão expostos no Caminhos da Integração, espaço que reúne a Emater/RS-Ascar, a Fepagro e a Ufrgs, na quadra 37 da Expointer


Os Bancos de Sementes de Mampituba e Novo Hamburgo estão expostos no Caminhos da Integração, espaço que reúne a Emater/RS-Ascar, a Fepagro e a Ufrgs, na quadra 37 da Expointer. Raízes, sementes e mudas de espécies antigas, que foram recuperadas e catalogadas, podem ser conhecidas pelos visitantes. Estes projetos fazem parte das Frentes Programáticas Alimentos para Todos e Responsabilidade Ambiental, desenvolvidas pela Emater/RS-Ascar em consonância com os Programas Estruturantes do Governo do Estado.

“Percebemos que alguns agricultores costumavam trocar as sementes de plantas raras entre si e que poderíamos recuperar espécies nativas em extinção com a difusão dessa prática”, diz Sérgio Francisco Barcheti, da Emater/RS-Ascar de Mampituba. A partir da integração entre a Instituição e 10 clubes de mães, formou-se o Banco de Sementes, uma forma organizada de câmbio. “Algumas espécies, como a pipoca vermelha, eram produzidas somente por um agricultor. Distribuindo grãos desta espécie, contribuímos para a ampliação de seu cultivo e contribuímos para a manutenção da biodiversidade”. As sementes são distribuídas entre os agricultores pela Emater/RS-Ascar. Quando as plantas se desenvolvem, os produtores devolvem o dobro da quantidade que levaram ao banco, ficando disponível para futuras trocas.

Além do aspecto ecológico, o Banco de Sementes contribui para a nutrição da família rural, por possuir espécies diversificadas que pertencem a três classes alimentares. “Os feijões são alimentos protéicos, as espécies de arroz, milho e batata são energéticos e os olerícolas, vitamínicos”, lembra Barchetti. Segundo dados da Secretaria da Agricultura de Mampituba, aliado ao saneamento básico, o projeto reduziu em 75% a procura em postos de saúde desde que foi implantado e fez com que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do município subisse 32 posições no ranking estadual.

Devido a sua contribuição social, o Banco de Sementes é nacionalmente conhecido e já foi divulgado na Conferência Internacional de Segurança Alimentar de Fortaleza. O projeto recebeu, em 2005, um prêmio no valor de 20 mil reais do Ministério do Desenvolvimento Agrário, investido na construção de 279 hortas no município. Atualmente, há o concurso anual de hortas, em que as agricultoras participantes do Banco de Sementes exibem as espécies que cultivam. O dia da premiação é também o Dia do Câmbio, em que as participantes trocam sementes no evento.

Este projeto é direcionado à agricultura de subsistência, já que as espécies não são cultivadas em uma escala que atenda a demanda comercial. Porém, as participantes fazem doações da produção a escolas, creches e pessoas necessitadas “É muito comum essa intervenção nas escolas, quando as mães doam produtos para a merenda escolar, contribuindo na qualidade da nutrição dos estudantes”, observa Barchetti.

Em Novo Hamburgo, uma experiência semelhante é realizada desde o final de 2007. Como trabalho de conclusão de curso de graduação em Nutrição, a extensionista da Emater/RS-Ascar, Leonice Kreutz, iniciou um trabalho de resgate de feijões crioulos, com grupos de mulheres de seu município. O Banco de Feijões de Novo Hamburgo reúne clubes de mães, que trocam sementes e receitas, utilizando as 97 espécies recuperadas.

Muitos visitantes da Expointer 2009, ao passar pelo espaço, levam sementes, mudas e raízes para cultivarem em casa. É uma forma de disseminar ainda mais estas plantas, recuperadas pelo Banco de Sementes.

Alimentação Escolar – No mesmo espaço, o visitante da Expointer 2009 recebe informações sobre a nova Lei Federal nº11947, de junho de 2009, referente à merenda escolar. Ela determina que, no mínimo, 30% da verba destinada à compra de alimentos nas escolas devem ser empregados na aquisição de produtos da agricultura familiar. Isto é importante ao produtor rural, por representar garantia de venda. Já os estudantes terão sua alimentação assegurada pela diversidade e qualidade dos produtos do campo. As informações são da assessoria de imprensa da Emater-RS.

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