Retaliações apenas não bastam

Agronegócio

Retaliações apenas não bastam

“Mais uma vez, ganhamos, mas não levamos”, afirmou ontem o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira
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A decisão causou frustração nos produtores, que esperavam “ações concretas” da OMC para punir o governo norte-americano e, ao mesmo tempo, compensar os prejuízos dos agricultores brasileiros por causa dos subsídios. “Mais uma vez, ganhamos, mas não levamos”, afirmou ontem o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Glauber Silveira. “Precisamos saber que retaliações o governo brasileiro pretende aplicar. Na verdade, só retaliação não basta. Os produtores querem ser indenizados pelos prejuízos”.

Silveira diz que os produtores não vão ganhar nada com as retaliações do governo. “A decisão da OMC foi uma medida subjetiva, esquisita”. Para ele, só esta punição não resolve. “Os produtores precisam ser ressarcidos pelos prejuízos causados pela concessão dos subsídios. Acho que a indenização deveria ser proporcional ao montante das perdas”.

Os detalhes sobre as medidas de retaliação ainda não foram divulgados pela OMC. O Ministério das Relações Exteriores estimou que a retaliação do Brasil aos Estados Unidos por conta dos subsídios ao algodão pode chegar a US$ 800 milhões anuais.

“Queremos saber de que forma seremos ressarcidos”, afirmou o produtor mato-grossense Carlos Augustin. Segundo ele, é preciso que a decisão da OMC traga algum benefício ao produtor. “De qualquer forma, foi uma vitória e acredito que conseguimos mais um avanço”.

Para o presidente da Cooperativa de Cotonicultores de Primavera do Leste (Unicotton), a 231 quilômetros ao leste de Cuiabá, João Luiz Ribas Pessa, na prática, a medida só terá efeito ao produtor se garantir algum tipo de compensação indenizatória.

Na avaliação do presidente licenciado da Federação da Agricultura do Estado (Famato), deputado federal Homero Pereira, a vitória na OMC representa o resgate da autoridade dos organismos internacionais que estavam no descrédito. “Com esta decisão, a OMC, que é o órgão máximo que regula o comércio internacional, resgata sua autoridade”.

A medida, segundo ele, é muito importante para o Brasil porque irá estimular os cotonicultores a continuar produzindo. Pereira afirmou que estava havendo uma “concorrência desleal” no mercado. “Somos eficientes para plantar, mas não conseguimos concorrer em igualdade de condições no mercado internacional por causa dos subsídios. Acho que a decisão da OMC vai inibir os Estados Unidos na concessão de subsídios”.

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