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Rio Grande do Sul inicia exportação de carne com osso para o Chile

RS acaba de alcançar um divisor de águas para sua economia


Foto: Divulgação

O Rio Grande do Sul acaba de alcançar um divisor de águas para sua economia rural. Cinco anos após a suspensão da vacinação contra a febre aftosa, o estado celebrou, no dia 27 de março, o envio da primeira carga de carne bovina com osso para o Chile. O evento, que marca o primeiro resultado concreto da mudança de status sanitário, foi o centro das atenções em um encontro na Embaixada do Brasil em Santiago.

A abertura do mercado chileno para a carne com osso é um privilégio concedido apenas a regiões reconhecidas internacionalmente como zonas livres de febre aftosa sem vacinação. Para o setor, este é o resultado esperado desde que o estado parou de vacinar seu rebanho para buscar mercados mais exigentes e de maior valor agregado.

O momento representa o retorno financeiro e estratégico de um esforço sanitário de anos. Até então, o Chile era um grande comprador da proteína gaúcha, mas as restrições sanitárias impediam a entrada do produto com osso, que agora passa a ser o novo diferencial competitivo do estado.

A comitiva brasileira que esteve em solo chileno e que contou com a presença do 1º vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, vê a abertura não apenas como uma venda pontual, mas como o início de uma agenda de longo prazo. O foco agora é usar a "origem gaúcha" e a "identidade produtiva" como selos de qualidade para conquistar outros mercados de alta renda que exigem o status de livre de aftosa sem vacinação, como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.

"O primeiro grande efeito na prática, efeito econômico da retirada da vacina de febre aftosa. O Mercosul, tem Argentina, tem Uruguai, tem Paraguai produzindo carne, além do Brasil. E, no entanto, o Chile autorizou apenas o estado do Rio Grande do Sul a exportar carne com osso e miúdos bovinos para o país", salientou Gedeão.

A operação pioneira foi liderada pela Minerva Foods. Segundo informações do Sicadergs (Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no RS), a primeira carga partiu da unidade de Alegrete. Atualmente, três plantas da Minerva no estado já estão habilitadas para este tipo de exportação, e a expectativa é que outros frigoríficos, como o Silva, de Santa Maria, também iniciem suas operações em breve.

O embaixador do Brasil no Chile, Paulo Pacheco, destacou a união entre poder público e iniciativa privada nas esferas estadual e nacional para garantir a conquista. "Este evento marca o sucesso dessa parceria que eu tenho certeza irá prosperar e levar a carne brasileira a um outro patamar aqui no Chile e do Chile para outros países. O Chile é um país que tem uma rede de acordos de livre comércio com cerca de 80% do PIB mundial. É um país que é muito mais do que apenas os 20 milhões de chilenos", declarou.

Para garantir que esse novo patamar de mercado não seja ameaçado, o sistema de defesa sanitária também se moderniza. O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa-RS) está atualizando seus critérios e valores de arrecadação a partir de 1º de abril de 2026.

Essa reestruturação, baseada na Lei Estadual nº 16.428/25, visa fortalecer a capacidade de resposta do Rio Grande do Sul diante de qualquer eventual crise sanitária, assegurando aos compradores internacionais - como os chilenos - que o estado possui um controle rigoroso e seguro sobre sua produção.

 

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