Citros: Greening é confirmado pela primeira vez no Rio Grande do Sul
RS adota medidas para conter avanço do greening
Foto: Pixabay
O Rio Grande do Sul registrou os primeiros casos de greening (HLB) em plantas cítricas. A confirmação foi divulgada nesta segunda-feira (8) após análises laboratoriais da rede do Ministério da Agricultura e Pecuária identificarem a doença em plantas de um pomar doméstico localizado no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próximo à divisa com Santa Catarina.
Após a confirmação, equipes do Departamento de Defesa Vegetal e da Superintendência Federal de Agricultura no Rio Grande do Sul iniciaram ações de monitoramento nas áreas próximas ao foco para conter a disseminação da doença e implementar as medidas fitossanitárias previstas na legislação.
As ações seguirão as diretrizes do Plano de Ação estabelecido pela Portaria SDA/Mapa nº 1.326/2025, que instituiu o Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening. A propriedade onde o foco foi identificado possui cerca de 20 mudas cítricas. Conforme o protocolo fitossanitário, será realizada a erradicação das plantas infectadas e o controle do psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão da bactéria causadora da doença. A principal hipótese investigada é de que a introdução do greening tenha ocorrido por meio da aquisição de mudas irregulares já contaminadas.
O diretor do Departamento de Defesa Vegetal, Ricardo Felicetti, destacou que os trabalhos já estão em andamento tanto na propriedade afetada quanto em áreas vizinhas. “O Rio Grande do Sul desenvolve há muitos anos um trabalho permanente de monitoramento e prevenção ao greening. No entanto, estados vizinhos e regiões de fronteira já registravam a presença da doença há algum tempo. Felizmente, a confirmação ocorreu em um pomar doméstico localizado em uma região sem grande concentração de citricultura comercial. Vamos adotar todas as medidas necessárias para impedir a disseminação da doença para outras regiões do Estado”, destacou Felicetti.
Os órgãos de defesa sanitária reforçam a orientação para que produtores utilizem apenas mudas que atendam às exigências legais de origem e qualidade sanitária estabelecidas pelo Ministério da Agricultura. As autoridades também ressaltam que o greening não oferece riscos à saúde humana, mas provoca prejuízos à citricultura ao reduzir a produtividade, comprometer a qualidade dos frutos e causar deformações nas plantas.
Entre novembro de 2025 e março de 2026, o Departamento de Defesa Vegetal instalou e monitorou 374 armadilhas em pomares de 77 municípios gaúchos, realizando 4.326 leituras para identificar a presença do psilídeo transmissor da doença. As armadilhas são substituídas a cada 15 dias, e os materiais coletados passam por análise para identificação de insetos suspeitos. Além do monitoramento, a Secretaria da Agricultura promove capacitações, ações de orientação e distribuição de materiais informativos e armadilhas adesivas amarelas.
As ações de vigilância também incluem inspeções em pomares. Em 2025, foram realizadas 211 fiscalizações em 65 municípios, com coleta de 13 amostras de material vegetal suspeito. Todas apresentaram resultado negativo para a bactéria causadora do greening. Em 2026, até o momento, já foram realizadas 47 inspeções em 19 municípios, com oito amostras analisadas e resultados igualmente negativos, até a confirmação do foco em Palmitinho.
A prevenção também envolve o cumprimento das normas estabelecidas pela Portaria nº 1.326 do Ministério da Agricultura, que determina que o material de propagação de citros seja produzido em ambiente protegido e a partir de plantas matrizes certificadas e indexadas.
Considerado uma das doenças mais severas da citricultura mundial, o greening afeta todas as espécies de citros e ainda não possui tratamento eficaz para plantas contaminadas. Entre os sintomas estão o amarelecimento das folhas, a produção de frutos pequenos, deformados e de sabor amargo, além da redução da produtividade e da morte de plantas como laranjeiras, limoeiros e bergamoteiras.