Riscos globais sustentam preços do trigo
A consultoria avalia que parte do prêmio geopolítico já está incorporada aos preços
A consultoria avalia que parte do prêmio geopolítico já está incorporada aos preços - Foto: Pixabay
O mercado internacional de trigo segue sustentado por riscos geopolíticos e climáticos, mas começa a exigir cautela após a forte valorização recente. Segundo a TF Agroeconômica, a guerra no Mar Negro permanece como o principal suporte das cotações, diante dos ataques a portos, terminais e rotas marítimas durante a comercialização da nova safra russa.
As restrições ao tráfego pelo Estreito de Kerch, por onde passa cerca de 25% das exportações russas originadas no Mar de Azov, e os ataques a portos ucranianos mantêm a preocupação com a oferta. Caso os problemas persistam, compradores internacionais poderão buscar fornecedores alternativos, movimento que já impulsionou a Euronext à maior valorização semanal desde fevereiro de 2022.
A Rússia responde por aproximadamente 22% do comércio mundial e pode exportar 47,5 milhões de toneladas em 2026/27. Nos Estados Unidos, a falta de chuvas em Dakota do Norte e o aumento da área sob seca pressionam o trigo de primavera. Esse conjunto levou Chicago aos maiores níveis desde 2024.
No campo baixista, as vendas semanais norte-americanas somaram 235 mil toneladas, abaixo das expectativas. Na nova safra, o volume comercializado recua 22,9% ante igual período anterior. A Argentina, por sua vez, já plantou 92% da área prevista e mantém 96% das lavouras em condições normais a excelentes, o que pode ampliar a oferta exportável no fim do ano.
A consultoria avalia que parte do prêmio geopolítico já está incorporada aos preços. A recomendação é avançar na comercialização da safra nova de forma escalonada, mantendo apenas uma parcela em aberto, enquanto cooperativas, cerealistas e indústrias devem proteger margens e acompanhar o mercado, pois novas altas dependerão de fatos adicionais que agravem os riscos de oferta.