Rotação de culturas ajuda a frear diplodia no milho
Manejo correto da palhada, do solo e da rotação de culturas é decisivo
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Manejo de palhada, rotação de culturas e regulagem de colheita ajudam a diminuir o inóculo do fungo no solo e nos restos culturais.
A podridão de diplodia no milho, causada principalmente por Stenocarpella maydis e Stenocarpella macrospora, exige atenção no período pós-colheita, especialmente entre março e agosto, nas principais regiões produtoras do país. O manejo correto da palhada, do solo e da rotação de culturas é decisivo para reduzir a pressão da doença nas safras seguintes.
De acordo com referências técnicas da Embrapa citadas no material original, a podridão de diplodia sobrevive em grande quantidade nos restos culturais de milho deixados na lavoura, como sabugos, palha, colmos e grãos sobre o solo. Nesses resíduos, o fungo forma estruturas de resistência chamadas picnídios, responsáveis pela produção e liberação de esporos em períodos de chuva, orvalho intenso ou molhamento prolongado.
Em sistemas com sucessão intensiva de milho, como milho-milho ou áreas com elevada frequência da cultura, os restos infectados mantêm a doença ativa na lavoura. O objetivo do manejo, portanto, não é eliminar totalmente o fungo, mas reduzir o inóculo a níveis que diminuam infecções em espigas e colmos. Sistemas de plantio direto mal conduzidos, com alta repetição de milho e excesso de restos infectados, podem transformar a área em um reservatório permanente de inóculo.
A recomendação não é retirar toda a palhada, já que ela protege o solo contra erosão, conserva umidade e contribui para o aumento da matéria orgânica. O foco deve estar na distribuição uniforme dos resíduos, evitando faixas com acúmulo de sabugos e colmos contaminados.
A trituração moderada pode favorecer a decomposição dos restos culturais, principalmente em regiões com boa umidade no outono e no inverno. Já a queima da palhada é desaconselhada, por provocar perda de nutrientes, reduzir matéria orgânica, expor o solo e gerar risco ambiental.
A regulagem da colhedora é uma das primeiras medidas para reduzir a pressão da diplodia. Perdas de espigas inteiras, grãos doentes e sabugos acumulados no campo aumentam a fonte de inóculo para a safra seguinte.
A colheita deve priorizar ajustes na altura de corte, velocidade de avanço e rotação dos mecanismos. A distribuição da palhada na largura da plataforma também precisa ser observada. A checagem de perdas em campo, com bandejas ou contagem visual, ajuda o produtor a corrigir falhas operacionais e reduzir a permanência de material infectado na superfície do solo.
A rotação de culturas é apontada como uma das principais estratégias para diminuir doenças associadas ao solo e aos restos culturais. No caso da diplodia, o uso de culturas não hospedeiras ajuda a interromper o ciclo do fungo. Entre as alternativas estão soja, feijão, algodão e plantas de cobertura, como milheto, crotalária e algumas braquiárias, conforme o sistema de produção.
A sucessão milho-milho deve ser evitada em áreas com histórico de alta severidade da doença. Também é importante controlar plantas voluntárias de milho, conhecidas como tigueras, que podem atuar como ponte verde para o patógeno entre safras.
As plantas de cobertura também cumprem papel estratégico no manejo da diplodia. Elas diversificam o sistema radicular, estimulam a microbiota do solo e favorecem a atividade de fungos e bactérias decompositoras.
Esse processo acelera a quebra de sabugos e colmos infectados, reduzindo o tempo de sobrevivência efetiva do patógeno nos restos culturais.
Além disso, coberturas bem manejadas melhoram a estrutura do solo, a drenagem e a aeração, condições que podem reduzir ambientes favoráveis ao avanço de podridões em colmo e raiz.
O controle da podridão de diplodia não depende de uma prática isolada. Segundo o material técnico, a redução do inóculo deve ser combinada com escolha de híbridos mais tolerantes, manejo nutricional equilibrado, controle de pragas de espiga e colmo e uso correto de fungicidas quando necessário.
Danos causados por insetos favorecem a entrada do fungo, enquanto desequilíbrios nutricionais podem aumentar acamamento e predispor plantas a infecções mais severas.
As aplicações de fungicidas, quando utilizadas, devem seguir rótulo, bula, legislação vigente e receituário agronômico. A eficácia dessas ferramentas, porém, é limitada quando há alta carga de inóculo no ambiente.