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Rotação de culturas e manejo da palhada ajudam a reduzir helmintosporiose no trigo

Manejo integrado busca diminuir o inóculo do fungo


Foto: Divulgação

Por Aline Merladete com colaboração e revisão de Ubirajara Fontoura, engenheiro agrônomo

Manejo integrado busca diminuir o inóculo do fungo nos restos culturais e combinar prevenção, monitoramento e uso racional de fungicidas.

A helmintosporiose (mancha marrom) está entre as doenças que exigem atenção nas lavouras de trigo, principalmente em regiões com umidade elevada e temperaturas amenas. Causada principalmente por fungos do gênero Bipolaris, a doença pode atingir folhas, colmos e espigas e, em situações severas, comprometer o enchimento dos grãos e a qualidade do produto colhido. Além de comprometer a qualidade industrial, reduz a qualidade do trigo semente.

O manejo precisa considerar mais do que a lavoura que está no campo. Histórico de culturas, quantidade de palhada, velocidade de decomposição dos restos culturais, escolha das próximas culturas e uso de cultivares mais tolerantes fazem parte de uma estratégia integrada.

Essa visão ganha importância nos sistemas de plantio direto. Embora a palhada seja fundamental para a conservação do solo, ela também pode servir como local de sobrevivência do fungo quando contém restos de trigo infectados.

O patógeno pode permanecer nesses resíduos por meio de micélio e estruturas de resistência. Também pode estar presente em sementes infectadas. Quando encontram elevada umidade e temperaturas amenas, os fungos podem produzir esporos capazes de iniciar novas infecções.

Os períodos entre julho e outubro na região sul e maio a julho na região centro-norte recebem atenção especial. Nessa época, o trigo passa por fases importantes de seu desenvolvimento e as condições ambientais podem favorecer novas infecções originadas do inóculo presente na superfície do solo.

Os prejuízos associados à helmintosporiose incluem redução de produtividade e do peso de mil grãos, queda na germinação das sementes e, nos casos mais severos, maior risco de acamamento e problemas relacionados à qualidade industrial.

A ocorrência tende a representar maior preocupação em áreas com sucessões frequentes de trigo com trigo ou trigo com aveia, triticale com trigo, especialmente quando não há intervalos adequados com espécies não hospedeiras.

Nesse cenário, a rotação de culturas ocupa posição central no manejo. O princípio é interromper a presença contínua de hospedeiros e permitir que a população do fungo existente nos resíduos diminua ao longo do tempo.

Rotações bem organizadas também podem favorecer a estrutura do solo, a atividade microbiana e a decomposição dos restos infectados.

O planejamento deve começar antes da implantação da próxima safra. A orientação é evitar monocultivo e sucessões prolongadas de cereais de inverno suscetíveis, avaliando as culturas que serão utilizadas tanto no verão quanto no próximo período de outono e inverno. Na Integração lavoura-pecuária, onde serão incluídas gramíneas forrageiras, tanto para pastejo como para cobertura para execução do SPD, deverá escolher espécies forrageiras tolerantes ao Bipolaris.

Outro aspecto apresentado é a distribuição das culturas dentro da propriedade. Quando possível, o planejamento pode evitar grandes áreas contínuas de trigo próximas de talhões que registraram alta incidência da doença na safra anterior. A medida busca reduzir a possibilidade de disseminação de esporos entre áreas.
A duração da palhada também precisa entrar na análise. Resíduos que se decompõem mais rapidamente podem contribuir para uma redução mais rápida do inóculo. Por outro lado, grandes volumes de restos de cereais de inverno com decomposição lenta podem prolongar a sobrevivência do patógeno.

Isso não significa abandonar a cobertura do solo. No SPD, a palhada tem funções importantes na conservação, no controle da erosão e na fertilidade. O desafio é manter esses benefícios e, ao mesmo tempo, diminuir as condições favoráveis à sobrevivência do fungo.

Uma das ações propostas é a regulagem adequada da colheitadeira para triturar e espalhar uniformemente os restos da colheita. Fragmentos menores tendem a apresentar decomposição mais rápida, aumentando a ação de microrganismos e reduzindo o período de sobrevivência do inóculo.

Práticas que favoreçam a atividade biológica do solo também são citadas, incluindo manutenção de umidade adequada e adubação equilibrada. Solos com boa fertilidade tendem a apresentar maior atividade microbiana e melhor decomposição dos resíduos.

Já o revolvimento intenso do solo não é apresentado como a principal saída para o problema. Embora a incorporação possa enterrar parte dos restos culturais, o texto ressalta os impactos da quebra do sistema  plantio direto sobre a conservação do solo. A recomendação geral é priorizar rotação e decomposição dos resíduos em vez de depender de arações e gradagens frequentes como estratégia sanitária.

O volume de palhada hospedeira também deve ser acompanhado. Camadas muito densas de restos de trigo podem manter elevada umidade na superfície, criando condição favorável à doença. Quando possível, a orientação é alternar fontes de palhada provenientes de cereais de inverno com culturas não hospedeiras, especialmente as leguminosas.

Os fungicidas continuam fazendo parte do manejo. Em anos de alta pressão da doença e clima favorável, muitas lavouras podem precisar de aplicações mesmo quando medidas preventivas são adotadas. Caso necessário, deverá seguir recomendações da Pesquisa e Assistência Técnica.

A orientação é monitorar a área com frequência, principalmente entre as fases de alongamento e emborrachamento. A redução do inóculo por meio da rotação e do manejo da palhada pode contribuir para diminuir a necessidade de aplicações e o risco de seleção de resistência dos patógenos aos produtos utilizados.

Algumas situações exigem atenção reforçada. Entre elas estão áreas com histórico de alta incidência da doença, talhões com muito resíduo de trigo distribuído de forma irregular, condições de inverno úmido e temperaturas amenas e propriedades nas quais a necessidade de fungicidas vem aumentando a cada safra.

Nesses casos, decisões aparentemente simples, como melhorar a regulagem da colheitadeira para distribuir melhor a palhada, podem contribuir para acelerar sua decomposição e reduzir gradualmente a população do patógeno no campo.


 

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