Saca de soja chega a R$ 160 no porto de Rio Grande
Preço pago ao produtor também subiu
Foto: Expodireto Cotrijal
O preço da soja voltou a subir na Bolsa de Chicago (CBOT) na semana entre 17 e 23 de julho. Na quinta-feira (23), o valor fechou em US$ 12,37 por bushel, contra US$ 11,95 na semana anterior. Esse é o maior valor desde o fim de maio de 2024. A alta acontece por causa do clima seco nos Estados Unidos, da guerra entre Rússia e Ucrânia e do conflito entre Irã e Estados Unidos, que fizeram o preço do petróleo disparar.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), três fatores explicam essa alta. O primeiro é a preocupação com o clima seco nos Estados Unidos, que pode prejudicar a colheita. O segundo é a guerra entre Rússia e Ucrânia, que fez o preço do trigo subir e puxou a soja junto. O terceiro é o retorno da guerra entre Irã e Estados Unidos, que elevou ainda mais o preço do petróleo e, com isso, também o preço do óleo de soja em Chicago.
De acordo com a CEEMA, o barril de petróleo tipo Brent subiu 19,4% em apenas 22 dias, saindo de US$ 72,16 no dia 1º de julho para US$ 86,15 no dia 23. Esse movimento fez o óleo de soja subir 13,1% em Chicago no mesmo período. O farelo de soja, usado na alimentação animal, também subiu e chegou ao maior preço em quase dois meses.
Mesmo com o clima mais seco, a lavoura americana ainda está em boa situação. De acordo com dados do USDA repassados pela CEEMA, até 19 de julho apenas 8% das lavouras de soja dos Estados Unidos estavam em condição ruim. Outras 26% estavam regulares e 66% estavam em boa ou ótima condição.
No Brasil, o preço pago ao produtor também subiu. No Rio Grande do Sul, a saca de soja passou a custar R$ 125,00 nas principais regiões produtoras. No restante do país, o preço variou entre R$ 116,00 e R$ 127,00 por saca, segundo a CEEMA. No porto de Rio Grande, o preço já passou de R$ 150,00 por saca, chegando a R$ 160,00 no dia 22 de julho para entrega em novembro, com pagamento em maio de 2027, conforme dados repassados pela consultoria Brandalizze Consulting.
Apesar dos bons preços, existe um alerta para o futuro. Durante um congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Sober), realizado esta semana em Porto Alegre, pesquisadores chineses disseram que o país quer comprar menos soja de outros países. A meta da China é reduzir em 25% a compra de soja importada até 2030 e em 50% até 2050. Se isso acontecer, pode mudar totalmente o mercado mundial de soja e prejudicar produtores brasileiros.
Dados da alfândega chinesa citados pela CEEMA mostram que a China comprou 20,6% menos soja dos Estados Unidos em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025. Já as compras do Brasil cresceram 13,7% no mesmo período, chegando a 12,08 milhões de toneladas – o maior volume já registrado para um mês de junho. Entre janeiro e junho deste ano, as compras chinesas de soja dos Estados Unidos caíram 42,4%, enquanto as vindas do Brasil cresceram 9,1%, somando 34,75 milhões de toneladas.
Mesmo com a soja americana mais cara, a China continua comprando dos Estados Unidos. Segundo a consultoria Marex, citada pela CEEMA, essas compras têm motivo político, não só econômico. A China já garantiu a compra de 427 navios de soja americana neste ciclo, contra 47 navios vindos do Brasil. Especialistas acreditam que, por enquanto, a soja brasileira vai continuar mais barata que a americana, o que ajuda as exportações do Brasil. A expectativa é que o país exporte 113 milhões de toneladas de soja em 2026, sendo 86 milhões só para a China.
Diante dos bons preços atuais, a CEEMA recomenda que os produtores aproveitem o momento para vender parte da safra, se tiverem essa possibilidade. O alerta é para a colheita nos Estados Unidos, que começa em outubro. Se não houver problemas climáticos por lá, os preços tendem a cair.