Safra de pinhão pode ter queda em 2026
Estiagem pode reduzir produção de pinhão
Foto: Pixabay
O período oficial de colheita, transporte, armazenamento e comercialização do pinhão no Rio Grande do Sul começou em 1º de abril, conforme estabelece a Lei Estadual nº 15.915/2022. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (2) pela Emater/RS-Ascar. A norma tem como objetivo conciliar a geração de renda de famílias que atuam na cadeia produtiva com a proteção da Araucaria angustifolia e da fauna associada.
Durante os meses de abril, maio e junho, a legislação também proíbe o corte da araucária nativa, espécie listada como ameaçada de extinção em normas estaduais e federais. A colheita do pinhão ocorre principalmente nas regiões da Serra Gaúcha, Hortênsias e Campos de Cima da Serra, áreas que concentram a maior parte da produção no estado.
Segundo a Emater/RS-Ascar, a safra de 2025 registrou cerca de 600 toneladas de pinhão nessas regiões. Para 2026, as projeções indicam redução da produção na maioria dos municípios, com variações entre 12,5% e 60%. A estimativa considera fatores como estiagens recorrentes, chuvas excessivas no final do inverno e a ciclicidade biológica da espécie, cuja produtividade varia em ciclos de aproximadamente três anos.
Algumas localidades apresentam cenário distinto. Em Caxias do Sul, a expectativa é de manutenção da produção, enquanto em Canela há previsão de aumento que pode chegar a 100%. A atividade extrativista também ocorre em municípios como Monte Alegre dos Campos, Pinhal da Serra, Esmeralda e Vacaria. Em Gramado, Canela e Nova Petrópolis, o pinhão também integra atividades ligadas ao turismo, embora a informalidade dificulte a mensuração precisa da produção.
De acordo com o informativo, o pinhão tem papel relevante na composição da renda de famílias que atuam no extrativismo. A produção ainda apresenta poucas iniciativas de beneficiamento, industrialização e armazenamento, o que concentra a comercialização principalmente entre abril e junho. Em algumas áreas, variedades tardias do pinheiro-brasileiro permitem a presença do produto em menor quantidade até agosto e, ocasionalmente, no início de setembro.
A colheita é realizada de forma manual, desde a coleta das sementes no solo após a queda natural das pinhas até a derrubada das estruturas com o uso de ferramentas, como varas de bambu, ou por meio da escalada das árvores com equipamentos conhecidos como “trepas” e cintos de segurança.
Segundo o levantamento da Emater/RS-Ascar, “as variedades mais precoces estão em maturação e debulha; as mais tardias, em desenvolvimento da semente”. O relatório também aponta que “as pinhas e os pinhões apresentam boa qualidade e sanidade, mas tamanhos levemente reduzidos em função das estiagens prolongadas”.
Os preços do produto variam conforme a forma de comercialização, predominante no mercado informal. A venda direta ao consumidor na propriedade ocorre entre R$ 6,00 e R$ 8,50 por quilo, enquanto a comercialização com entrega pode alcançar de R$ 8,00 a R$ 16,00 por quilo. Em supermercados, feiras e pontos de venda à beira de estrada, os valores também variam entre R$ 8,00 e R$ 16,00 por quilo. Na venda para intermediários, os preços ficam entre R$ 5,00 e R$ 7,00 por quilo, enquanto o produto beneficiado, como pinhão moído ou paçoca, pode atingir de R$ 20,00 a R$ 30,00 por quilo.
A Ministério da Agricultura e Pecuária estabelece o preço mínimo do pinhão extrativista em R$ 4,63 por quilo, conforme a Portaria nº 868/2025.