Safra de verão terá o clima no centro das decisões
Excesso de chuva deve desafiar a próxima safra no Sul
Foto: Pixabay
A próxima safra de verão deve começar com uma mudança no mapa de riscos climáticos do Sul do Brasil. Se em outros ciclos a falta de chuva concentrava as atenções, desta vez o produtor terá de acompanhar o excesso de água e seus impactos sobre o calendário das lavouras.
Segundo Gabriel Rodrigues, meteorologista da seção AGROTEMPO do Portal Agrolink, o boletim de agosto de 2026 da NOAA indica que o El Niño deve atingir seu período mais intenso entre outubro e dezembro, meses decisivos para a implantação e o desenvolvimento das culturas de verão. A chance de o fenômeno permanecer na categoria de El Niño muito forte nesse trimestre é de cerca de 95%.
Os primeiros reflexos já apareceram. Em julho, as chuvas ficaram entre 30% e 90% acima da média em diferentes pontos do Sul. Como o fenômeno pode persistir pelo menos até março de 2027, a safra de verão poderá ocorrer sob sua influência.
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Para a agricultura, o maior risco não está apenas nos temporais, mas no excesso de umidade. Solo encharcado, menos dias para entrada de máquinas e janelas menores para semeadura, pulverizações e colheita podem comprometer o ritmo das operações.
O trigo exige atenção especial. O pico das chuvas pode coincidir com o enchimento dos grãos e a colheita, elevando o risco de giberela, germinação na espiga e perda de qualidade, com redução do peso hectolítrico e do número de queda. Em poucos dias, uma lavoura com bom aspecto pode sofrer desclassificação comercial.
Análise AGROTEMPO Safra 2026/27
A análise AGROTEMPO reforça que a safra 2026/27 exigirá acompanhamento climático ao longo de toda a safra. Com dados meteorológicos próprios e previsão de longo prazo, a inteligência climática do Portal Agrolink aponta tendência de um período mais chuvoso entre setembro e fevereiro no centro-sul do país, enquanto áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste podem registrar condições mais secas que o normal.
Embora a chuva acima da média possa favorecer algumas culturas, o excesso hídrico coincide com fases sensíveis das lavouras de inverno no Sul, especialmente maturação e colheita. Isso aumenta a pressão de doenças fúngicas, reduz a qualidade dos grãos e pode dificultar as operações em campo e o escoamento da produção.
Nesse cenário, a previsão sazonal ganha valor no planejamento, mas precisa ser combinada com radar, alertas e atualizações de curto prazo. Em uma safra com menos dias disponíveis para trabalhar no campo, acompanhar o tempo deixa de ser apenas rotina e passa a integrar a gestão da propriedade.

Mapas da previsão mensal dos desvios de precipitação AGROTEMPO para Setembro 2026 a Fevereiro 2027. As cores quentes (laranja e vermelho) indicam áreas com chuvas abaixo da média histórica. Áreas em verde são chuvas acima da média para o período.

Mapas da previsão mensal dos desvios de temperatura AGROTEMPO de Setembro 2026 a Fevereiro 2027. As cores quentes (laranja e vermelho) indicam áreas com temperaturas acima da média histórica. Áreas em azul são temperaturas ligeiramente abaixo da média para o período.
É nessa rotina que a seção AGROTEMPO, do Portal Agrolink, se insere, reunindo informações meteorológicas voltadas à tomada de decisão no campo.
Em uma safra com maior risco de excesso hídrico e menos dias disponíveis para as operações, acompanhar o tempo deixa de ser apenas consulta de rotina e passa a integrar a gestão da propriedade.