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Safra maior reacende debate sobre valor no café

O crescimento reforça o papel do Brasil como principal origem global de café


O crescimento reforça o papel do Brasil como principal origem global de café O crescimento reforça o papel do Brasil como principal origem global de café - Foto: Divulgação

A safra brasileira de café deve crescer em 2026/2027, impulsionada por expansão de área, clima mais favorável e maior uso de tecnologia no campo. Segundo Nivio Domingues, Founder & Director at Samba Export Brazil Origin Commodities, o avanço esperado recoloca uma questão estratégica para o setor: produzir mais é suficiente para ampliar a posição do país na cadeia global?

As estimativas para a nova temporada indicam um intervalo entre 66,2 milhões e 75,65 milhões de sacas, com aumento relevante em relação ao ciclo anterior, dentro do padrão de recuperação da bienalidade. A Safras & Mercado projeta uma safra recorde de 75,65 milhões de sacas de 60 quilos. Já a CONAB, Companhia Nacional de Abastecimento, estima 66,2 milhões de sacas, volume 17% superior ao da temporada anterior.

O crescimento reforça o papel do Brasil como principal origem global de café, especialmente na produção e exportação de grão verde. O país já exporta, em média, mais de 40 milhões de sacas por ano, o equivalente a cerca de 2,4 milhões de toneladas, com receita anual entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões, conforme as condições de mercado. Com uma safra maior, o potencial de receita também aumenta.

Parte importante desse fluxo é viabilizada por agentes com forte presença na originação e no comércio internacional, como Cooxupé, Olam Coffee, Louis Dreyfus Company e ECOM Agroindustrial Corp. Ltd. Esse modelo confirma a força brasileira na base da cadeia global, mas também evidencia onde está o maior espaço de avanço.

A cadeia do café vai além do grão. As etapas de maior valor agregado estão mais próximas do consumidor final, quando o produto deixa de ser tratado apenas como commodity e passa a incorporar diferenciação, marca, conveniência e experiência de consumo. Isso inclui torrefação e moagem, industrialização em cápsulas, solúvel e outros formatos, posicionamento de marca, distribuição e presença em cafeterias e linhas premium.

O Brasil já participa dessas etapas e conta com indústria relevante. Ainda assim, sua inserção internacional permanece mais concentrada na exportação do café verde. Esse cenário não reduz a força do país, mas aponta uma oportunidade clara: avançar nas etapas mais rentáveis da cadeia, onde o valor do café é ampliado antes de chegar ao consumidor.
 

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