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Safra menor deixa a melancia mais doce e mais cara

Preço sobe a galopes mesmo nos Campos Gerais. Por outro lado, quem planta diz que valores são desestimulantes


O município de Tibagi (Campos Gerais), maior produtor de melancia do Paraná, enfrenta perda estimada em 40%. A colheita, que começou nos últimos dias de dezembro e segue até final de janeiro, decepciona os produtores por causa da seca.

A última projeção sinaliza para uma produção 3 mil toneladas menor que a prevista. Segundo Jurandir de Campos, técnico do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), devido à falta de chuvas desde novembro, as frutas ficaram menores e muitas nem serão comercializadas. As chuvas que ocorreram nos últimos dias chegaram tarde para esta safra.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a produção de Tibagi era a maior do estado e representava 6,5% do total de 127 mil toneladas de melancia colhidas no estado numa safra de clima bom.

O município esperava agora 8,3 mil toneladas da fruta, em cerca de 220 hectares. O técnico do Emater acredita que sejam apanhadas no máximo 5 mil toneladas e que a área plantada comece a diminuir na região.

Apesar de menor, a melancia deste ano não deve perder em qualidade. De acordo com os técnicos e produtores, a concentração de água será menor e a de açúcar, maior.

Doce no sabor e amarga no preço, tanto para o consumidor como para produtor, que em alguns casos apenas tira o custo da produção. “A cada três alqueires de plantação, colhíamos 15 caminhões. Agora, dará no máximo 9”, comenta Wanderlei Bueno de Camargo, produtor na região de Tibagi.

O consumidor também está sentindo o reflexo no bolso. Em supermercados dos Campos Gerais, o preço do quilo de melancia subiu de R$ 0,50 para R$ 0,84.

O produtor vende a melancia por preços que vão de R$ 0,35 a R$ 0,45 o quilo em Tibagi. O valor varia de acordo com o tamanho da fruta. As pequenas valem 30% menos – cerca de 10 centavos por quilo.

Valério Borba, gerente estadual das Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa), comenta que o preço pago pelos distribuidores é de R$ 0,45 a R$ 0,55 o quilo. Borba acredita que o consumidor paga mais que isso porque o valor final inclui transporte.

Ano ruim

Camargo e seis irmãos plantam 120 hectares de melancia em Tibagi. Com experiência de mais de 20 anos no cultivo, ele garante que, “em virtude da seca, ainda não tinha visto um ano tão ruim para a melancia como esse”.

O produtor percebe pela cor que a melancia está madura. Pelo tamanho atual das frutas na lavoura, ainda não estaria na hora da colheita. “Se 90% da melancia é água, a seca é o motivo para as frutas não terem se desenvolvido”, comenta Campos.

A produção de melancia dos Campos Gerais segue para centros como Ponta Grossa e o Litoral do estado, onde concentram-se consumidores nesta época do ano. Municípios de médio porte como Londrina e Maringá também polarizam o mercado, tracionado por capitais como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Área tende a ser reduzida na competição com outras culturas e a criação de gado

Tibagi já conta com 20 hectares a menos de plantação de melancia e tende a diminuir a área da fruta ainda mais. A análise é do técnico do Emater Jurandir de Campos. “No ciclo de pantio sazonal, a melancia pode ser plantada no mesmo pedaço de terra só 8 anos depois de colhida e de preferência que a terra tenha servido de pasto antes disso.”

O produtor Wanderlei Camargo atribui o recuo da área ao alto custo da terra, que teve seu valor elevado nos últimos anos. “Em todos esses anos de plantio de melancia, restam poucas propriedades preparadas para o cultivo”, observa. Ele arrendou 25 hectares para a produção desta safra, porque suas propriedades foram cultivadas recentemente com a fruta e estão cobertas de outras culturas, procedimento obrigatório no sistema de rotação.

Terra nova

Campos afirma que a área para plantar melancia não deve estar desgastada pelo cultivo de milho, soja ou feijão. Uma alternativa é usar antes o pasto, porque o gado revolve o solo ao arrancar as raízes das plantas na hora de se alimentar. É preciso corrigir a acidez do terreno.

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