Safra recorde amplia desafio de rentabilidade
Na soja, a demanda chinesa permanece como fator central
Na soja, a demanda chinesa permanece como fator central - Foto: Canva
O agronegócio brasileiro atravessa um ciclo de produção elevada, mas com margens cada vez mais condicionadas à estratégia de comercialização e à eficiência da gestão. A análise é de Ricardo Leite, superintendente executivo do Banco Safra, com base em dados da Conab, do Cepea/Esalq-USP e do USDA/FAS.
A Conab estima a safra de grãos 2025/26 em 358,6 milhões de toneladas, volume que pode estabelecer novo recorde. A soja deve alcançar 180,3 milhões de toneladas, enquanto o milho total é projetado em 140,5 milhões, dos quais 107,9 milhões correspondem à segunda safra. O avanço reforça a força produtiva do país, mas também amplia a necessidade de decisões mais precisas para preservar a rentabilidade.
Na soja, a demanda chinesa permanece como fator central. O USDA/FAS informou venda de 132 mil toneladas para a China na safra 2026/27, em um mercado sensível ao ritmo das compras asiáticas. No Brasil, câmbio, logística e paridade de exportação seguem determinantes para a competitividade.
No milho, a colheita da segunda safra pressiona as cotações em algumas regiões. Em 24 de junho, o Indicador Cepea/Esalq marcou R$ 63,09 por saca de 60 quilos, enquanto o etanol de milho ganha peso na demanda interna. No café, o arábica fechou a R$ 1.517,29 por saca e o robusta, a R$ 1.037,93, com a qualidade dos lotes influenciando a captura de valor.
O arroz registrou R$ 59,80 por saca de 50 quilos, em recuperação limitada. Para o trigo, a Conab projeta cerca de 6,3 milhões de toneladas, com preços influenciados pela oferta restrita e pela qualidade. Nesse cenário, clima, câmbio, energia, demanda externa e ritmo da colheita continuam moldando os mercados. Transformar volume em resultado depende de proteção de preços, planejamento financeiro, logística eficiente e crédito adequado.