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Safra recorde de soja nos EUA e queda do dólar fazem preço cair


Há exatamente um ano, o preço da saca de 60 quilos de soja custava quase 100% a mais do que se paga hoje. Os sojicultores chegaram a negociar a saca por R$ 52 em 12 de fevereiro de 2004, porém agora está cotada ao preço de R$ 26,50. A redução para a metade do preço tem dois motivos: a safra recorde dos Estados Unidos e a queda do dólar para patamares próximos a R$ 2,60. Esses dois fatores fizeram despencar o preço do grão, deixando atordoados os produtores que começam a colher uma das melhores safras dos últimos tempos, com previsão de 62 milhões de toneladas (2004/2005).

Com a pressão da oferta, há riscos do preço ficar mais baixo no auge da colheita. O gerente comercial da Cooperativa Agropecuária de Produção Integrada do Paraná Ltda, Luiz Yamashita, diz que não acredita em melhora de preço por enquanto em função da grande oferta mundial. Salvo se houver algum contratempo na América do Sul e uma melhora do câmbio, avalia Yamashita, que diz que os produtores não podem esperar por milagres.

Além da previsão de que o Brasil terá uma safra recorde, com 62 milhões de toneladas, a Argentina também aumentou a produção. Das 33 milhões de toneladas da safra passada, a previsão é que este ano os argentinos saltem para 39 milhões de toneladas. Tem também a supersafra americana, que resultou na colheita de 85 milhões de toneladas de soja. Isso tudo ajudou a aumentar a oferta mundial e, consequentemente, a despencar o preço dos grãos, afirma Yamashita, lembrando que a freada na concessão de créditos das empresas chinesas, no ano passado, também pode ter contribuído para o cenário atual.

Segundo o gerente comercial, restam ainda no Paraná pelo menos 13% da soja do ano passado para ser comercializada. Esses produtores ficaram esperando a saca chegar a R$ 60 em março do ano passado, mas o que ocorreu foi uma queda gradativa de lá para cá, enfatizou Yamashita. Em 19 de março de 2004, a saca chegou a ser negociada em R$ 52,50.

A desvalorização do dólar frente ao real, o que reduz ainda mais os preços, colabora para que a remuneração fique abaixo do custo de produção em diversas regiões. Na avaliação de assessores da Cocamar de Maringá a tendência não é o preço cair mais. Já caiu bastante. Hoje (ontem), por exemplo, Chicago está em alta em função da seca no Rio Grande do Sul e na Argentina. Se a produção cair, o preço sobe, disse um assessor. Outro aspecto salientado por consultores é que os fretes tendem a reduzir ainda mais o preço da soja ao produtor, bem como a capacidade insuficiente de armazenagem. Quanto mais longe está a lavoura da indústria ou dos portos, maior o desconto aplicado ao preço em razão do frete.

Recentemente, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, reafirmou que o produtor de soja sabia dos riscos que enfrentaria ao plantar a cultura em um cenário econômico com custos nos mesmos níveis dos preços de venda do grão. Rodrigues, que é sojicultor no Maranhão, lembrou que o produtor estava informado dos riscos e que a saída agora é enfrentar o mercado. O ministro ressaltou que vinha alertando os produtores, desde agosto do ano passado, de que os custos seriam crescentes e os preços no mercado internacional cairiam. E agora ainda há o problema do dólar. Ou seja, agora a coisa está pior do que no ano passado. É uma situação complicada para todos nós produtores, disse Rodrigues.

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