Safra recorde não evita crise financeira
O país colheu 346 milhões de toneladas de grãos
O país colheu 346 milhões de toneladas de grãos - Foto: United Soybean Board
A safra recorde de grãos em 2025 não impediu o avanço das dificuldades financeiras no agronegócio brasileiro. Segundo análise do advogado Renato Ewerton de Melo, o setor conviveu com aumento dos custos, margens menores, crédito mais restrito e crescimento dos pedidos de recuperação judicial.
O país colheu 346 milhões de toneladas de grãos, maior volume da história, de acordo com o IBGE. No mesmo período, foram registrados 1.990 pedidos de recuperação judicial no agro, alta de 56,4% sobre 2024 e maior número desde o início da série da Serasa Experian, em 2021.
Entre os fatores de pressão estão os fertilizantes, que subiram quase 18% e podem representar até 30% do custo de uma lavoura, conforme a CNA. Ao mesmo tempo, o preço da soja ficou estagnado e a rentabilidade da cultura caiu quase 48% entre as safras 2024/25 e 2025/26.
O crédito também perdeu força, com retração de 17% nas concessões e juros do Plano Safra chegando a 14%. A inadimplência rural terminou 2025 em 8,2%, maior nível da série histórica. Levantamento da NEOT aponta ainda frustrações de safra e choques climáticos em 85% dos processos analisados, além da queda dos preços e do descompasso entre custos e receitas.
“Na minha vivência diária, vejo produtores que entenderam o recado e produtores que insistem no improviso. Há os que ainda acham que a próxima safra resolverá o problema. Não resolverá. A safra recorde provou que o problema do agronegócio brasileiro nunca foi produzir mais, mas produzir melhor, com custo controlado e estrutura enxuta. Quem não se ajustar será ajustado por um mercado impiedoso”, conclui.