Safra recorde pode mexer com estoques e exportações
Estoque de passagem da soja em grãos deve ficar em torno de 9,2 milhões de toneladas
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A produção recorde de soja deve abrir espaço para um leve avanço das exportações brasileiras e ampliar o volume destinado ao processamento interno, segundo dados divulgados pela Conab. O movimento também altera as projeções de estoques para soja, milho e feijão, com reflexos diretos sobre oferta, abastecimento e planejamento do mercado.
De acordo com levantamento da Conab, as exportações de soja em grãos estão estimadas em 116,1 milhões de toneladas. O resultado é sustentado pela maior produção da oleaginosa, que permite ao país ampliar a presença no mercado externo sem reduzir o volume disponível para a indústria nacional.
O processamento interno da soja também deve crescer. Segundo dados divulgados pela Conab, o volume destinado à moagem está projetado em 61,58 milhões de toneladas. Esse aumento indica maior disponibilidade de matéria-prima para a produção de farelo e óleo, produtos importantes tanto para o consumo interno quanto para a cadeia de exportação.
Com esse cenário, o estoque de passagem da soja em grãos deve ficar em torno de 9,2 milhões de toneladas. O número sinaliza uma recomposição da oferta ao fim do ciclo, em um mercado que acompanha de perto o ritmo das vendas externas, a demanda industrial e o comportamento dos preços.
No milho, a Conab também revisou o quadro de suprimentos após ajustes na projeção da produção total da atual safra. De acordo com levantamento da Companhia, os estoques de passagem do grão podem chegar a 13,25 milhões de toneladas no final de janeiro de 2027.
A atualização é relevante porque o milho tem forte peso na formação de custos da pecuária, especialmente nas cadeias de aves, suínos e leite. Com estoques mais confortáveis, o mercado tende a acompanhar os impactos da oferta sobre a disponibilidade interna e sobre as decisões de compra da indústria.
Para o feijão, alimento essencial no consumo doméstico, a Conab atualizou o estoque final esperado para 288,5 mil toneladas no fim de dezembro. O volume reforça a atenção do mercado sobre o equilíbrio entre produção, consumo e abastecimento, especialmente diante da sensibilidade do produto às variações de oferta.