Safrinha 2026 entra no radar do mercado de milho
Dólar elevado mantém competitividade do milho
Foto: Divulgação
Segundo análise divulgada nesta segunda-feira (19) pela Grão Direto, o mercado de milho passa a direcionar as atenções para a safrinha 2026, em um momento em que as decisões de plantio começam a influenciar as expectativas de oferta e preços futuros.
Com o avanço da colheita da soja, o plantio do milho de segunda safra ganha ritmo no Paraná e em Mato Grosso. De acordo com a avaliação da plataforma, a janela considerada ideal vai até o fim de fevereiro e o início de março e, caso o plantio ocorra dentro desse período, o mercado tende a precificar uma produção elevada, o que pode pressionar os contratos futuros com vencimento em setembro de 2026.
Na análise, o comportamento do clima aparece como fator central para a formação dos preços no mercado futuro, uma vez que as condições das próximas semanas serão determinantes para o desenvolvimento inicial das lavouras da safrinha.
Segundo a Grão Direto, um cenário climático favorável reforça a expectativa de oferta abundante e mantém viés de baixa nas cotações. “Qualquer atraso ou estresse climático, porém, pode reduzir esse excesso de oferta esperado e trazer maior volatilidade aos preços”, aponta a análise.
No mercado físico, a demanda interna segue como elemento de sustentação das cotações, especialmente em regiões com maior consumo industrial.
De acordo com o levantamento, o patamar de R$ 70,00 por saca na B3 passa a ser um nível relevante de teste para o mercado. A demanda das usinas de etanol de milho no Centro-Oeste tende a funcionar como piso regional, limitando quedas mais acentuadas, embora, sem problemas climáticos relevantes, altas expressivas sejam consideradas pouco prováveis.
O cenário macroeconômico também entra no radar do produtor e do mercado, influenciando tanto a competitividade do milho brasileiro quanto a formação das margens no campo.
O dólar segue operando em nível elevado e encerrou a semana cotado a R$ 5,37, sustentado pelo diferencial de juros, com a Selic em 15%, e pelas incertezas fiscais. Esse contexto mantém a competitividade da commodity brasileira mesmo com Chicago pressionada, embora o aumento do custo logístico, especialmente nos fretes rodoviários durante a colheita, possa reduzir a margem líquida na fazenda.
Diante desse ambiente, a Grão Direto destaca que é fundamental que o produtor acompanhe de perto as oscilações do mercado e seus custos de produção. “Neste momento de transição de safra, a volatilidade logística pode abrir janelas rápidas de oportunidade”, avalia a empresa, recomendando atenção às cotações e às relações de troca alinhadas à margem sustentável.