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Safrinha avança e mercado segue sob pressão

Etanol de milho ajuda a sustentar preços


Foto: Pixabay

O avanço da colheita da segunda safra deve continuar determinando o comportamento do mercado de milho nas próximas semanas. Segundo a análise "Direto do Campo", produzida pela Grainsights em parceria com a Grão Direto, as cotações na bolsa e no mercado físico devem permanecer pressionadas à medida que aumenta a oferta do cereal.

A expectativa é de que o pico da colheita ocorra entre a segunda quinzena de junho e meados de julho. Em Mato Grosso, a retirada dos grãos do campo já ultrapassou 35,5% da área cultivada, ritmo considerado acelerado. Com previsão de condições climáticas favoráveis para o trabalho das máquinas, a tendência é de aumento da oferta física, o que pode pressionar ainda mais os preços à vista. A demanda interna, no entanto, segue como principal fator de sustentação para limitar novas quedas.

No mercado internacional, as atenções estão voltadas para a divulgação dos relatórios de área plantada e de estoques do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A expectativa do mercado é de redução na área cultivada com milho nos Estados Unidos. Caso os números fiquem abaixo do esperado, o cenário poderá provocar uma movimentação de cobertura de posições vendidas na bolsa de Chicago, impulsionando as cotações.

O desenvolvimento das lavouras norte-americanas também seguirá no radar dos investidores. O acompanhamento do relatório Crop Progress será decisivo, especialmente durante julho, período considerado crítico para a polinização do milho. A ocorrência de calor intenso nas Grandes Planícies norte-americanas é apontada como o principal fator capaz de gerar prêmios de risco no mercado internacional.

No Brasil, as preocupações climáticas estão concentradas nas frentes frias previstas para o Sul do país. Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia, há risco de geadas no sul do Paraná, em Santa Catarina e nas áreas serranas do Rio Grande do Sul. As lavouras de segunda safra implantadas mais tardiamente nessas regiões permanecem sob maior risco de perdas provocadas pelo frio.

A análise também destaca que o desempenho das exportações será importante para aliviar a oferta disponível no mercado interno. A redução das estimativas de embarques acende um sinal de alerta, embora a manutenção do cessar-fogo de 60 dias no Golfo Pérsico possa favorecer a redução dos custos com seguros marítimos e dos fretes para o Irã, um dos principais compradores do milho brasileiro. Esse cenário tende a favorecer a movimentação dos portos do Arco Norte.

Enquanto isso, a demanda doméstica continua sendo um dos principais pilares de sustentação do mercado. O crescimento da produção de etanol de milho em Mato Grosso, estimado em 16% na atual temporada, mantém as usinas em atividade constante na compra de grãos, reduzindo a pressão sobre os preços, principalmente na região Centro-Oeste.

No cenário macroeconômico, a análise ressalta que a manutenção da taxa Selic em 14,50% ao ano pelo Comitê de Política Monetária reforça um ambiente de crédito mais restritivo, diante da inflação acumulada de 4,72% em 12 meses até maio. No mercado cambial, embora o dólar tenha encerrado a semana em queda, a moeda segue em patamar elevado, fator que mantém a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros e ajuda a reduzir parte dos impactos das oscilações nas bolsas internacionais.

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