SC adota vazio sanitário contra virose do maracujá
SC reforça defesa vegetal na cultura do maracujá
Foto: Pixabay
Santa Catarina iniciou a adoção do vazio sanitário para conter o avanço da virose do endurecimento dos frutos na produção de maracujá. Durante aproximadamente um mês, produtores de todo o estado devem eliminar todas as plantas vivas de maracujá-azedo (Passiflora edulis) para interromper o ciclo do vírus causador da doença e evitar a permanência de plantas hospedeiras. Aas informações foram divulgadas pela Agência de Notícias de Santa Catarina.
A medida foi estabelecida pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) e é fiscalizada pelo Departamento Estadual de Defesa Vegetal (Dedev) da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). O estado é o terceiro maior produtor de maracujá do país, e a atividade envolve cerca de mil famílias produtoras.
O vazio sanitário é uma medida normativa implantada pela Cidasc desde 2020. Para o produtor Olírio Viel, de Treze de Maio, a adoção trouxe mudanças na produção. “O vazio foi uma virada na produtividade na nossa região. A gente já vinha observando que a planta nova tinha um vigor e produzia mais. Isso organizou a produção, começamos a plantar todos na mesma época e paramos de ter problema de fruta de qualidade ruim e começamos a ter frutas de melhor qualidade”, conta o produtor.
Para a aplicação da medida, Santa Catarina foi dividido em três regiões. Na região I, o vazio sanitário ocorre de 1º a 30 de julho; na região II, de 11 de julho a 9 de agosto; e na região III, de 25 de julho a 19 de agosto.
Durante o período, fica proibida a manutenção de plantas vivas de maracujazeiro e a implantação de novos pomares de Passiflora edulis. A exceção são as mudas produzidas em viveiros que seguem as exigências previstas na legislação, como o uso de telas antiafídeos e outras estruturas de proteção.
A Cidasc alerta que, para a medida funcionar, não basta apenas cortar os pés de maracujá. As plantas precisam ser retiradas do solo para impedir o rebrote. Caso raízes ou parte do tronco permaneçam, a planta pode voltar a crescer e permitir que o pulgão se infecte novamente, favorecendo a transmissão do vírus para a nova safra.
A virose do endurecimento dos frutos é causada pelo Cowpea aphid-borne mosaic vírus (CABMV) e afeta diretamente a produtividade do maracujazeiro. A doença apresenta rápida disseminação e pode causar perdas significativas na produção.
O vírus pode ser transmitido por inoculação mecânica, como no uso de ferramentas de poda contaminadas, ou por insetos vetores, principalmente espécies de pulgões durante a alimentação. Apesar de o maracujazeiro não ser hospedeiro desses insetos, eles podem espalhar o vírus entre as plantas.
Os sinais da doença aparecem nas folhas e nos frutos. Plantas infectadas apresentam redução no crescimento, encurtamento dos ramos e queda na produção, com perdas que podem chegar a 60%. Nas folhas, os sintomas incluem mosaico, deformações e rugosidades, enquanto os frutos ficam deformados, menores e com endurecimento da parte interna da casca, reduzindo o rendimento de polpa e prejudicando a comercialização.