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SC ativa alerta climático diante de risco do El Niño

El Niño pode elevar risco de chuvas no Sul


Foto: Pixabay

Santa Catarina entrou em alerta climático nesta segunda-feira (18), após decreto assinado pelo governador Jorginho Mello. A medida vale por 180 dias e busca preparar o estado para possíveis eventos extremos ligados ao El Niño, especialmente chuvas volumosas, enchentes, alagamentos e deslizamentos. As informações foram são da Agência Brasil.

A decisão tem caráter preventivo. Segundo informações divulgadas pela agência de notícias do governo estadual, o decreto não representa situação de emergência nem estado de calamidade pública. A proposta é organizar, com antecedência, a atuação dos órgãos estaduais e municipais em caso de agravamento das condições climáticas. “O objetivo é permitir a mobilização antecipada dos órgãos estaduais para ações de prevenção, monitoramento e resposta rápida diante de possíveis eventos extremos”, informou o governo.

Entre as ações previstas estão investimentos em monitoramento, capacitação de equipes e modernização de barragens. O governo também poderá deslocar servidores estaduais para apoiar operações da Defesa Civil e utilizar recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundec) em medidas preventivas e operacionais.

O decreto define parâmetros para que municípios atingidos possam reconhecer situação de emergência. Entre os critérios estão chuva acima de 80 milímetros em 24 horas, famílias desabrigadas, interrupção de serviços essenciais, deslizamentos e emissão de alertas laranja ou vermelho pela Defesa Civil estadual.

A vigência inicial vai até novembro, mas o prazo poderá ser prorrogado. O governo catarinense adotou a medida diante do histórico de enchentes severas no estado, como as registradas em 1983 e 2023, também associadas ao El Niño.

El Niño aumenta preocupação no Sul

O El Niño ocorre quando há alteração na temperatura das águas do Oceano Pacífico, influenciando o regime de chuvas em diferentes regiões. Segundo estudos nacionais e do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), órgão do governo dos Estados Unidos, a probabilidade de ocorrência do fenômeno já em julho supera 80%.

No início de maio, o cenário ainda era de neutralidade, com temperaturas dentro do esperado na região tropical do Pacífico. A partir de julho, no entanto, os estudos indicam aquecimento superior a meio grau.

De acordo com a previsão citada pela agência norte-americana, a maior intensidade do fenômeno é esperada entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027.

Cemaden aponta risco de chuvas acima da média

Na quinta-feira (14), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou análise sobre a possível formação de um novo episódio de El Niño e seus impactos no Rio Grande do Sul. O documento aponta “possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño ao longo de 2026, com maior probabilidade de atuação durante a primavera deste ano e o verão de 2027”.

Conforme os especialistas, os cenários avaliados “sugerem tendência de chuvas acima da média em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, além de temperaturas superiores ao padrão climatológico em determinados períodos”. Embora a análise trate do território gaúcho, o alerta reforça a atenção para o Sul do país, onde eventos de chuva intensa costumam gerar impactos sobre áreas urbanas, estradas, lavouras e estruturas produtivas.

Produção de alimentos pode sentir os efeitos

O boletim mais recente do NOAA citado no material indica risco aumentado de variação superior a dois graus entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027. O cenário levou a alertas na costa oeste dos Estados Unidos, onde há preparação para temporais mais intensos e inundações. Segundo o órgão, a elevação da temperatura média dos oceanos, o aumento do nível das águas e a força do El Niño podem ocorrer ao mesmo tempo, ampliando a incidência de desastres naturais.

No Brasil, institutos ligados ao Ministério da Agricultura e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação alertam para risco de chuvas no Sul e para maior dificuldade na produção de alimentos. Culturas como arroz, feijão e milho podem enfrentar instabilidade, o que exige planejamento de produtores, cooperativas e órgãos públicos.

 

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