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Seca-dos-ponteiros exige manejo integrado no café

Quando aplicar fungicidas contra seca-dos-ponteiros


Foto: Pixabay

A seca-dos-ponteiros está entre as doenças que mais preocupam os cafeicultores por comprometer o desenvolvimento dos ramos produtivos e reduzir o potencial de rendimento das lavouras. Associada principalmente ao fungo Colletotrichum gloeosporioides, a enfermidade provoca seca dos ponteiros, queda de folhas e perdas de produtividade. O controle químico, no entanto, deve ser adotado apenas quando houver risco econômico comprovado, aliado ao manejo cultural e ao monitoramento constante da lavoura.

O problema é recorrente em diferentes regiões produtoras e se torna mais evidente em plantas submetidas a estresse, seja por déficit hídrico, excesso de carga na safra anterior, deficiência nutricional ou falhas no manejo. Nessas condições, muitos produtores recorrem aos fungicidas como primeira alternativa, mas a recomendação técnica é que a decisão seja baseada em critérios agronômicos e não apenas na presença dos sintomas.

A seca-dos-ponteiros é caracterizada pela morte regressiva das extremidades dos ramos e, em muitos casos, está relacionada à antracnose causada por Colletotrichum gloeosporioides e espécies semelhantes. O fungo sobrevive em restos culturais, ramos doentes e frutos mumificados, produzindo esporos que são disseminados principalmente pelos respingos de chuva, infectando folhas, ramos e frutos.

Entre os principais sintomas estão lesões escuras em folhas e ramos, seguidas pela necrose das extremidades, desfolha e redução da emissão de novos ramos produtivos. O avanço da doença compromete diretamente a capacidade de frutificação das plantas e reduz a formação de estruturas que sustentam as próximas safras.

O diagnóstico correto é considerado o primeiro passo antes da adoção de qualquer estratégia de controle. Os sintomas podem ser confundidos com danos provocados por seca, geadas, fitotoxicidade ou outras doenças. Nos ramos, a necrose costuma começar pelos ponteiros e avança em direção à base. Nas folhas, surgem manchas pardas ou escuras, enquanto a distribuição dos danos tende a ser mais intensa nas partes superiores e externas da copa.

A diferenciação em relação a outros problemas é essencial para evitar intervenções desnecessárias. Enquanto o estresse hídrico provoca seca mais uniforme e sem lesões típicas, e a geada causa queimaduras generalizadas nas folhas, a seca-dos-ponteiros apresenta evolução localizada e progressiva nos ramos. Em caso de dúvida, a confirmação por meio de laboratório especializado é indicada.

A ocorrência da doença depende de fatores ambientais e do manejo adotado na propriedade. Alta umidade na copa, temperaturas favoráveis ao fungo e alternância entre períodos chuvosos e secos criam condições para a infecção. Plantios adensados, ausência de podas, restos vegetais contaminados, deficiência nutricional, excesso de carga de frutos e estresse hídrico também favorecem o desenvolvimento do problema.

Os impactos vão além da perda imediata de ramos. A doença reduz o número de estruturas produtivas, compromete a emissão de novos ramos, aumenta a necessidade de podas para recuperação das plantas e pode provocar perdas de produtividade por mais de uma safra, dependendo da intensidade dos ataques.

O controle químico não é recomendado para qualquer ocorrência da doença. A aplicação de fungicidas deve ser considerada apenas quando houver elevada incidência em ramos produtivos, histórico de surtos severos, presença de cultivares mais suscetíveis e previsão de condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do fungo. Nessas situações, o risco de perdas econômicas pode justificar a intervenção.

Antes da aplicação, é necessário realizar uma avaliação detalhada do talhão, observando a distribuição dos sintomas, a quantidade de ramos afetados, o histórico da área e as condições climáticas previstas. A decisão deve considerar também o estágio da cultura, o potencial produtivo e a meta de produção da lavoura.

Caso o controle químico seja indicado, a escolha do fungicida, do grupo químico, da época e do número de aplicações deve ser feita por engenheiro agrônomo, utilizando exclusivamente produtos registrados para a cultura do café e para o controle de doenças causadas por Colletotrichum, sempre respeitando as orientações de bula, o receituário agronômico, os períodos de carência e o uso de equipamentos de proteção individual.

Mesmo quando há necessidade de aplicação de fungicidas, o manejo cultural continua sendo a principal ferramenta de prevenção. Podas sanitárias, melhoria da circulação de ar na copa, equilíbrio nutricional, manejo adequado da carga de frutos e eliminação de ramos e frutos contaminados reduzem a pressão da doença e aumentam a eficiência das demais medidas de controle.

O uso de fungicidas exige responsabilidade técnica e cumprimento da legislação. Além da utilização de produtos registrados e da emissão de receituário agronômico, o produtor deve calibrar corretamente os pulverizadores, respeitar o intervalo de segurança antes da colheita e realizar o armazenamento e o descarte das embalagens conforme as normas vigentes.

Antes de optar pelo controle químico, o produtor deve confirmar que os sintomas realmente correspondem à seca-dos-ponteiros, avaliar a intensidade da doença, analisar o histórico da área, priorizar práticas culturais e contar com orientação técnica para verificar se o nível de dano econômico justifica a aplicação. O manejo integrado continua sendo a estratégia mais eficiente para preservar a sanidade do cafezal e reduzir perdas de produtividade.

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