Sementes: verticalização preocupa produtores do PR
Preocupa a concentração de plantio que está ocorrendo no Estado em algumas cultivares
Ao final da reunião, o presidente da Apasem, Marcos Antonio Trintinalha, disse que vai propor à Abrasem – Associação Brasileira de Produtores de Sementes, que negocie com os obtentores visando reduzir os atuais custos de utilização da semente OGM. “A tecnologia é importante, mas é preciso haver um equilíbrio para democratizar o acesso aos produtores”, frisou.
Preocupa também a diretoria a concentração de plantio que está ocorrendo no Estado em algumas cultivares , o que no passado já ocasionou problemas graves de produção. “Qualquer problema sanitário ou até climático pode levar a uma grande quebra de produtividade, e isso já ocorreu no passado” disse o presidente.
Atuação limitada
Na verticalização, os obtentores definem a quantidade de semente que será multiplicada pelos produtores, o destino e o preço de venda, dessa forma definindo a receita dos produtores. O presidente da Apasem, Marcos Antonio Trintinalha, afirmou que vários os associados demonstraram grande preocupação com essa verticalização: “O produtor de semente arca com os altos custos de montagem e manutenção da UBS, campos de multiplicação de sementes, assistência técnica, mão de obra, cumprimento das normas e exigências legais, entre outros. Por isso ele não concorda com a verticalização, que aumenta sua dependência em relação aos obtentores”, frisou.
Por outro lado, a nova política comercial para a tecnologia OGM para a safra 2011/2012, divulgada recentemente por um dos obtentores, estabelece que o agricultor que utilizar no plantio 60 kg de sementes de soja por hectare e obtiver produtividade acima de 60 sacas por hectare, deverá pagar o valor de indenização de 2% sobre a quantidade que exceder o volume do crédito de isenção, sendo que na regra anterior para esse volume de semente plantada o excesso só aconteceria a partir de 73 sacas por hectare. Como em várias regiões do Paraná a produtividade ultrapassa as 60 sacas por hectare, aumenta também o valor pago pela utilização da nova tecnologia.
O diretor executivo da Apasem, Eugênio Bohatch, afirmou que “a preocupação do setor é muito grande, pois o produtor vai ficar dependente de obtentores que definirão os preços de venda das sementes e estabelecerão as regras do mercado”.
Para poderem multiplicar as sementes, os produtores pagam aos obtentores entre 4 a 14 kg de grãos para cada saca de 40 kg, o que equivale a um custo que varia de 10 a 35%. A consequência desse custo para multiplicar a semente poderá significar, segundo estima a Apasem, o aumento do plantio da semente própria pelos agricultores e o crescimento do uso da semente ilegal.
As informações são da assessoria de imprensa da Apasem.